O Banco Central do Brasil tem a possibilidade de acelerar a redução da taxa Selic a partir do mês de dezembro, conforme o resultado das eleições. A análise foi divulgada pela Quantitas, que identificou um tom mais brando no comunicado emitido pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
De acordo com o economista-chefe da instituição, Ivo Chermont, a comunicação recente do Banco Central demonstrou cautela extrema. O especialista apontou que dois fatores principais motivaram essa postura: o pleito eleitoral brasileiro e a expectativa de elevação de juros pelo banco central norte-americano. "Era natural que o Banco Central tentasse ser bem cauteloso e aguardar o desdobramento dos dados", declarou Chermont.
Apesar de o documento apresentar poucas alterações textuais em comparação aos anteriores, o economista destacou que todas as modificações apontaram para a mesma direção de tom mais suave. Entre os pontos avaliados estão a menção clara à desaceleração econômica em todos os setores e nuances indicando a convergência da inflação para patamares inferiores.
Por que dezembro é visto como ponto de virada
A Quantitas avalia que a reunião de dezembro será o momento mais adequado para avaliar uma possível aceleração nos cortes, e não o encontro de novembro. Como o pleito está agendado para 25 de outubro, a reunião de novembro ocorrerá muito próxima à data, sem tempo hábil para que os reflexos do resultado apareçam nos indicadores econômicos.
"Para a reunião de dezembro já é bastante tempo. A gente já vai ter muito mais informação do que o novo presidente pretende fazer", explicou Chermont, apontando a política fiscal como o principal foco de atenção da autarquia no momento. Sinalizações favoráveis do futuro presidente na área fiscal poderiam aliviar o prêmio de risco do país, o câmbio e as projeções inflacionárias, viabilizando cortes mais intensos.
Questionado sobre o tamanho de uma eventual aceleração, o economista apontou reduções de 50 pontos-base como o cenário mais plausível. "Acho que 50 pontos-base é bastante suficiente para acelerar e não colocar em risco eventuais ganhos que a gente está tendo de inflação", pontuou.
Inflação e atividade econômica
Em um cenário de desaceleração da economia acompanhada de inflação persistente acima da meta, Chermont avaliou que o combate à inflação prevalecerá nas decisões do Banco Central. Ele relembrou o ano de 2015, quando o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 3,5% em meio à aceleração inflacionária, para demonstrar que o controle de preços impede reduções de juros mesmo diante de fraqueza econômica, embora ressalve que não projeta a repetição daquele contexto.
"A inflação acaba predominando e o Banco Central vai ter que ser bem mais cauteloso, seja cortando menos ou seja parando os juros num patamar mais alto", concluiu o economista, reiterando a relevância da política fiscal para o controle da inflação.
