A gigante das corretoras de criptomoedas Binance informou que US$ 6,3 bilhões (R$ 33 bilhões) em ativos digitais foram afetados por um ataque hacker, considerado o maior da história do setor. A empresa declarou que cobrirá todas as perdas e que cerca de metade dos ativos já foi congelada, embora muitos permaneçam com os invasores.
Verificações iniciais de segurança apontam que o incidente pode ter começado com o comprometimento do laptop de um engenheiro, permitindo saques não autorizados. O co-CEO da Binance, Richard Teng, afirmou em comunicado que a investigação preliminar indica que o invasor acessou um ambiente de serviço e enviou transações não autorizadas, ressaltando que o processo foi complexo e não envolveu apenas as permissões de um único funcionário ou um ataque de um clique. Teng acrescentou que não há evidências de vazamento da chave privada da carteira e que um relatório detalhado será publicado após o término da apuração.
Duas empresas de análise atribuíram a ação ao grupo de hackers norte-coreano TraderTraitor. A empresa de cibersegurança Check Point indicou que o grupo também é conhecido como Lazarus Group, responsável por um ataque cibernético em 2025. O diretor de segurança da informação da Check Point, Jayant Dave, classificou o episódio como o maior roubo de criptomoedas da história e apontou semelhanças com um ataque à plataforma Bitget em setembro, no qual foram perdidos US$ 388 milhões (R$ 2 bilhões).
A empresa de investigações TRM Labs relatou semelhanças com incidentes anteriores ligados à Coreia do Norte, como o ataque de US$ 1,5 bilhão à corretora Bybit em 2025. A Chainalysis também afirmou ter um alto nível de confiança na ligação com o TraderTraitor. Agências de segurança ocidentais apontam que fundos roubados por agentes norte-coreanos costumam financiar programas de armas nucleares e mísseis da Coreia do Norte, enquanto o regime do país já negou envolvimento em ataques cibernéticos anteriores.
Nesta sexta-feira (30), a Binance informou que começou a recuperar os ativos afetados dos usuários e trabalha com autoridades e parceiros para congelar e reaver mais fundos. A corretora garantiu que reservou mais de US$ 6,3 bilhões para cobrir o incidente, com US$ 5 bilhões já alocados nos mesmos ativos afetados, enquanto busca adquirir o restante por diferentes canais. A empresa também relatou que os saques foram temporariamente suspensos, com previsão de normalização em 45 horas.
Em publicações no X, a co-CEO Yi He agradeceu a emissores de criptomoedas pelo auxílio no congelamento de ativos. As plataformas Tether e Circle congelaram cerca de US$ 2,4 bilhões em ativos, e a World Liberty Financial, ligada ao presidente dos EUA Donald Trump e sua família, também afirmou ter trabalhado com parceiros para congelar fundos roubados. A Binance.US declarou que sua plataforma não foi afetada, e a Coinbase informou que monitora a situação sem registro de impactos. Com os alertas de segurança, o Bitcoin registrou queda superior a 4%, e outras criptomoedas como Ethereum e Solana também apresentaram quedas acentuadas.
