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Economia

Incerteza e volatilidade levam investidores a buscar aplicações fora do Brasil

Cenário de volatilidade e incerteza econômica faz investidores de grande patrimônio buscarem diversificação internacional e mudança de domicílio fiscal.

Redação•30 de out. de 2026, 12:30
Incerteza e volatilidade levam investidores a buscar aplicações fora do Brasil
Imagem: site

Incerteza e volatilidade levam investidores a buscar aplicações fora do Brasil

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Em meio a um cenário marcado por alta volatilidade nos mercados financeiros e pelo aumento da incerteza política e econômica, investidores brasileiros de grande patrimônio têm intensificado a busca por alternativas de alocação de capital fora do país. Em alguns casos, o movimento inclui também a mudança de domicílio fiscal.

A avaliação é de Wilson Barcellos, CEO da Azimut Brasil, empresa especializada na gestão de grandes fortunas. O executivo participou do programa É Negócio.

Comportamento e cautela nos investimentos

Para Barcellos, a reação dos clientes diante do atual ambiente turbulento é esperada e natural. “Os clientes são humanos e a humanidade tem a incerteza e o medo como característica de proteção da sua própria espécie”, afirmou. O CEO destacou que momentos de volatilidade provocam alterações drásticas nos preços dos ativos, ressaltando que o movimento observado recentemente no Brasil não é inédito na história nacional.

O executivo recomendou cautela e ponderação em vez de decisões precipitadas. Segundo ele, não se deve movimentar recursos apenas porque certos ativos parecem teoricamente 10% mais baratos, mas sim compreender as mudanças estruturais reais que estão ocorrendo.

Concentração em renda fixa no Brasil

O CEO chamou a atenção para uma característica marcante do mercado brasileiro: a concentração excessiva de investimentos em renda fixa. De acordo com Barcellos, embora o Brasil represente apenas 2% do PIB mundial e sua bolsa de valores corresponda a menos de 1% do mercado acionário global, entre 98% e 99% dos investimentos realizados no país são direcionados à renda fixa. Esse fenômeno é impulsionado pelas elevadas taxas de juros.

“Taxa de juros muito elevada atrai os recursos para renda fixa, um ativo que teoricamente teria baixo risco, mas não é assim”, pontuou. O executivo ressaltou ainda que juros reais muito acima da inflação sinalizam problemas na saúde financeira de qualquer nação, um desequilíbrio que afeta tanto os preços das bolsas quanto o câmbio em diversas economias globais.

Destinos para diversificação e expatriação

Entre os clientes da Azimut Brasil, cujos patrimônios mínimos giram em torno de R$ 20 milhões, a busca por diversificação internacional e mudança de domicílio fiscal tem crescido. A gestora administra globalmente cerca de um trilhão em ativos sob gestão, permitindo o acesso a estratégias globais.

Barcellos apontou cinco regiões que têm absorvido os investidores brasileiros em busca de expatriação:

  • Oriente Médio: passou a atrair brasileiros por oportunidades de negócios e vínculos familiares.
  • Europa: Suíça, Mônaco e Luxemburgo destacam-se nas operações da gestora, além da Itália, que oferece condições especiais para residência de estrangeiros.
  • Estados Unidos: continuam relevantes, com recursos lastreados em dólar.
  • Uruguai: mantém sua posição tradicional na América do Sul.
  • Paragui: tem se destacado pelos benefícios fiscais que atraem pessoas físicas e empresas, sendo muito diferente do que era há 10 ou 15 anos.

Sobre os títulos americanos (Treasuries), Barcellos observou uma mudança no perfil dos detentores: há dez anos, 72% estavam com holdings oficiais, bancos centrais e fundos soberanos. Em 2025, esse percentual caiu para 42%, sinalizando uma diversificação global crescente por parte desses grandes investidores institucionais, com maior interesse em ouro e ativos distribuídos geograficamente.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/negocios/incerteza-leva-investidores-a-diversificar-aplicacoes-fora-do-brasil/

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