A intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, anunciada na terça-feira (3/11), gerou forte impacto entre os brasileiros que vivem e mantêm negócios no país vizinho. A medida foi tomada após constatação de que o índice de solvência da instituição caiu para menos da metade do mínimo exigido. O cenário de instabilidade financeira culminou na renúncia do presidente paraguaio, Santiago Peña, na quinta-feira (5/11).
O Ueno Bank era uma das principais instituições financeiras locais, contando com 3 milhões de clientes — o equivalente a 60% da população adulta do país —, além de administrar milhões de dólares em recursos públicos, especialmente da previdência social. Especialistas apontam que a facilidade de abertura de contas e a ausência de burocracia atraíram dezenas de milhares de imigrantes brasileiros, incluindo estudantes de medicina, pequenos comerciantes, produtores rurais e investidores.
Entre os afetados está a brasileira Renata de Brito, de 44 anos, moradora de Hernandarias. Proprietária de uma lanchonete, ela teve o aplicativo e as maquininhas de pagamento bloqueados. Com todas as suas economias retidas na instituição, ela relata apreensão em relação aos compromissos financeiros do mês e corre para abrir uma nova conta em outro banco, enfrentando longas filas nas agências. Outros brasileiros, como a empresária Erika Silva, também relatam recursos presos, embora mantenham o plano de residência no Paraguai motivados por questões econômicas e tributárias.
O Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai cobre valores de até 228 milhões de guaranis por pessoa, o que equivale a cerca de R$ 211 mil. O Banco Central paraguaio garantiu o ressarcimento dentro desse limite e informou que ainda avaliará a cobertura para quantias superiores. Reportagens locais indicam que os recursos públicos aplicados no banco somam cerca de 850 milhões de dólares, representando quase 2% do PIB nacional.
A crise financeira também repercutiu na política. Santiago Peña, que ocupava a presidência desde 2023, renunciou ao cargo para preservar a estabilidade nacional, segundo declaração oficial. O ex-presidente já havia sido alvo de questionamentos e críticas devido a ligações anteriores com a holding controladora do banco e à nomeação de um ex-executivo da instituição para a presidência do Banco Central do Paraguai.
