O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (5) que a economia brasileira não possui "fórmula mágica" e garantiu que a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai preservar os compromissos fiscais, além de manter as promessas firmadas durante a campanha eleitoral na área social. As declarações foram dadas em entrevista coletiva após um encontro de cerca de quatro horas no Palácio da Alvorada, que reuniu o presidente, ministros, ex-ministros e especialistas em economia.
Segundo Durigan, a reunião não teve como foco a discussão de medidas específicas. O ministro destacou que o objetivo de obter superávit nos próximos anos envolve o fortalecimento das regras fiscais atuais, assegurando a valorização de políticas públicas de forma sustentável. Questionado sobre eventuais modificações nos parâmetros do arcabouço fiscal — conjunto de regras aprovado em 2023 para balizar os gastos públicos, controlar despesas e mitigar a inflação e a taxa básica de juros —, o ministro reforçou a necessidade de seguir as normas vigentes.
Como desdobramento do diálogo, Durigan relatou que ele e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, farão uma análise dos pontos debatidos e de propostas já em andamento. A meta é submeter eventuais propostas à avaliação de Lula assim que o presidente retornar de compromissos internacionais, com ênfase em previsibilidade e método. "Acho que a mensagem mais importante é: quem investe, quem produz nesse país não vai ter, neste governo, nenhum problema, nenhuma dificuldade com relação à previsibilidade, regras claras", declarou.
Participaram da reunião no Palácio da Alvorada o vice-presidente Geraldo Alckmin; os ministros Bruno Moretti (Planejamento), Miriam Belchior (Casa Civil) e Esther Dweck (Gestão); os ex-ministros Fernando Haddad, Aloizio Mercadante e Guido Mantega; e os economistas Luciano Coutinho, Eduardo Moreira e Laura Carvalho. Embora o mercado financeiro e especialistas aguardassem o anúncio de ações para equilibrar as contas públicas, nenhum anúncio desse tipo foi feito pelo ministro após o encontro.
Durigan também refutou os rumores veiculados no último fim de semana sobre uma possível reunião entre Lula e o economista André Lara Resende — um dos criadores do Plano Real —, que avaliaria a redução da taxa de juros para 7,5% ao ano e a fixação de um teto para a inflação e para a Selic. O titular da Fazenda negou que o encontro ocorreria e descartou alterações abruptas na política econômica.
A reunião presidencial ocorre em um cenário de críticas de petistas ao Banco Central devido ao patamar elevado da taxa de juros e aos pedidos por mudanças na política monetária. Na quarta-feira (4), o Banco Central manteve a Selic em 13,75% ao ano. Enquanto aliados do governo rejeitam um ajuste fiscal rigoroso, o mercado financeiro aguarda um plano consistente de contenção de despesas para evitar baixo crescimento econômico, escassez de recursos para programas sociais e pressões inflacionárias.
