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Transição energética abre oportunidades de negócios no Brasil

Representantes do governo e do setor produtivo debateram nesta quinta-feira (5) o potencial econômico da transição energética em painel do CNN Talks.

Redação•06 de nov. de 2026, 01:30
Transição energética abre oportunidades de negócios no Brasil
Imagem: site

Transição energética abre oportunidades de negócios no Brasil

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A transição energética está criando novas oportunidades de negócios em setores como mineração, energia e transporte no Brasil. Representantes do governo e do setor produtivo apontaram, nesta quinta-feira (5), o potencial econômico da descarbonização. A discussão ocorreu no primeiro painel do CNN Talks – A Economia da Transição, que debateu como a agenda climática pode impulsionar a competitividade da economia brasileira por meio de matérias-primas de menor impacto ambiental, novas tecnologias e financiamentos.

Mercado de Carbono

Uma das principais frentes dessa transformação é a criação do mercado regulado de carbono, que viabilizará a negociação de cotas de emissão entre empresas. Cristina Reis, secretária extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, informou que o governo projeta concluir a primeira fase de implementação até dezembro, com a publicação das normativas básicas do sistema.

"Estamos implementando a lei. Essa implementação se dá em fases. A primeira, que termina agora em dezembro, é referente à publicação das principais normas, que são a base desse mercado", declarou Cristina Reis.

O modelo determina que empresas reguladas sigam limites de emissão baseados em um Plano Nacional de Alocação. Operadores que emitirem acima de 25 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano deverão cumprir obrigações de conciliação, podendo comercializar excedentes caso reduzam emissões além do exigido ou adquirir ativos se ultrapassarem os tetos. A entrada em vigor do primeiro plano é esperada a partir de 2030, estimulando projetos em agricultura, energia renovável, gestão de resíduos e saneamento.

A secretária também pontuou o papel de instrumentos como o Fundo Clima e o Eco Invest Brasil para atrair capital privado a projetos sustentáveis. Conforme o governo, o Eco Invest Brasil já mobilizou mais de R$ 190 bilhões em investimentos nos cinco leilões realizados.

Mineração e Aço Verde

No setor mineral, a expansão do aço de baixo carbono gera expectativas positivas devido à procura por minério de ferro de alto teor. Rodrigo Uchoa, diretor de Comunicação Corporativa da Cedro Mineração, mencionou iniciativas internacionais, como um projeto em Boden, na Suécia, focado em reduzir em até 95% as emissões em relação aos métodos tradicionais.

"Essa indústria promete diminuir 95% sua emissão de carbono. Para que ela faça isso, precisa do minério verde. Isso é uma realidade. Quando falamos em minério verde, não é um futuro distante, estamos falando logo ali na esquina. O Brasil está se colocando nessa cadeia como um elo essencial", afirmou Uchoa.

A Cedro investe em pellet feed de alto teor para atender a essa demanda industrial. Uchoa enfatizou ainda a relevância da rastreabilidade para comprovar a origem e as características dos minerais, atendendo a exigências de mercados internacionais como o europeu.

Setor de Energia

Fabiana Molina, diretora Jurídica e de Relações Institucionais da Ultragaz, avaliou que a descarbonização requer a combinação de diferentes soluções tecnológicas conforme as particularidades de cada atividade econômica.

"Quando falamos de transição energética, não falamos apenas sobre uma solução. O produto que vai ser utilizado é aquele que vai mais se adaptar àquela necessidade", disse Fabiana.

A executiva citou que a Ultragaz ampliou sua atuação além do gás liquefeito de petróleo (GLP), investindo em biometano e energia elétrica, sendo o biometano apontado com condições favoráveis de crescimento devido aos avanços regulatórios e ao interesse dos consumidores.

Transportes e Viabilidade Econômica

No segmento de transportes, Vinicius Ladeira, representante da CNT (Confederação Nacional do Transporte), ressaltou que diferentes operações exigem alternativas específicas, como caminhões movidos a biometano e o uso do Fundo Clima.

"Existe um mito de dizer que a descarbonização precisa ir numa direção contrária à competitividade da economia. Transportes é um setor que está mobilizado em encontrar soluções na diminuição de poluentes, e isso precisa ser economicamente viável", afirmou Ladeira.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/infra/transicao-energetica-abre-negocios-para-mineracao-energia-e-transporte/

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