O avanço da produtividade é apontado como um dos principais desafios para impulsionar a expansão econômica do Brasil e elevar a competitividade industrial. A análise foi divulgada pelo economista Fábio Giambiagi durante o evento Imersão Indústria, realizado pela Fiemg em Belo Horizonte nesta sexta-feira (30).
De acordo com Giambiagi, a expansão futura do país estará atrelada aos ganhos produtivos, em razão do ritmo reduzido de crescimento da população em idade de trabalhar.
“A capacidade de crescimento da economia brasileira no futuro vai estar ligada não a ocupar mais gente, porque o ritmo de crescimento da população em idade de trabalhar vai ser pequeno, e sim ao dinamismo da produtividade”, declarou.
O cenário para as pequenas e médias empresas também apresenta desafios. Diogo Lisboa, analista técnico do Sebrae Minas, destacou que a proximidade com grandes indústrias pode gerar oportunidades para os negócios menores no fornecimento de bens e serviços.
“As pequenas empresas têm que estar antenadas às oportunidades que são ofertadas pelas grandes, principalmente no sentido de que as grandes, cada vez mais, querem construir a cadeia de valor nas regiões onde elas estão localizadas. A pequena empresa tem que estar preparada para fornecer com qualidade, no prazo e da melhor forma possível”, afirmou Lisboa.
Além disso, o analista ressaltou a relevância da qualificação profissional, da preparação das lideranças frente às inovações tecnológicas e citou óbices corporativos como a Reforma Tributária, as alterações na NR-1 e os debates acerca da jornada de trabalho.
O reflexo do chamado Custo Brasil foi abordado no setor de mineração. Luiz Otávio Conforze Lima, presidente da AngloGold Ashanti na América Latina, mencionou despesas com tributos, transporte, infraestrutura e segurança como elementos que afetam a competitividade.
“Quando a gente fala de Custo Brasil, no impacto para a mineração, a gente tem um custo que a gente chama de um imposto invisível. O Brasil tem a maior carga tributária na produção, principalmente do ouro. Sem contar todos os custos que a gente ainda tem de logística, de infraestrutura, da falta da segurança, por exemplo”, pontuou.
