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Economia

Mineração do futuro: escolhas atuais definem o setor rumo a 2050

Estudo projeta cenários para a mineração até 2050, apontando desafios de demanda, transição energética, sustentabilidade e a posição estratégica do Brasil.

Redação•30 de out. de 2026, 16:30
Mineração do futuro: escolhas atuais definem o setor rumo a 2050
Imagem: site

Mineração do futuro: escolhas atuais definem o setor rumo a 2050

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O setor de mineração enfrenta um desafio estratégico marcado pelo descompasso entre a temporalidade de seus investimentos — medidos em décadas — e a volatilidade de curto prazo das cotações de commodities, trocas de governo e opiniões públicas. O tempo de maturação de projetos expandiu-se expressivamente, fazendo com que o prazo médio entre a descoberta de um jazimento e o início da lavra comercial triplicasse em pouco mais de trinta anos, passando de seis para cerca de dezoito anos. Consequentemente, uma mina com previsão de funcionamento para os anos 2040 já passa por planejamento, desenho, financiamento e licenciamento no cenário atual.

A demanda global por minerais críticos é impulsionada pela urbanização de países emergentes, expansão de data centers e inteligência artificial, rearmamento global e metas da transição energética. Apenas a procura por cobre pode registrar alta de aproximadamente 50% até 2040. Simultaneamente, a oferta lida com restrições estruturais: desde 1990, o teor médio de cobre nos minérios lavrados caiu cerca de 40%, enquanto reservas profundas e geograficamente complexas substituíram os depósitos de superfície. Além disso, cerca de 60% dos grandes projetos mundiais de mineração sofrem atrasos crônicos, impulsionados por gargalos no licenciamento e conflitos socioambientais.

Para analisar esse panorama, um estudo recente realizado pela Systemiq e ERM, com apoio do Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM) e da Fundação Moore, estabeleceu três cenários estratégicos para 2050 com base na inovação tecnológica e nos modelos de governança:

  • Fracture (Fratura): Focado na fragmentação geopolítica em blocos rivais, com governos tratando recursos como ativos de segurança nacional. As salvaguardas socioambientais são flexibilizadas para assegurar suprimento rápido, enquanto a inovação avança de forma tímida. O modelo projeta um aumento de 25% no total de minas operacionais e elevações de 35% a 50% no desmatamento, na geração de rejeitos e nas emissões de gases de efeito estufa.
  • Flywheel (Impulso): Direcionado à eficiência e sustentabilidade por meio de governança equilibrada, regras internacionais transparentes, rastreabilidade rigorosa e adoção de inteligência artificial, sensores e eletrificação de frotas. Exige menos cavas abertas, agiliza licenciamentos e reduz o desmatamento em até 25%, o consumo de água em até 35% e as emissões de Escopos 1 e 2 em cerca de 90%.
  • Space Race (Corrida Espacial): Retrata intensa competição tecnológica entre potências sem governança global unificada. As regras são assimétricas: regiões conservacionistas usam tecnologia para mitigar impactos, enquanto áreas focadas em receitas adotam extrações agressivas, incluindo a exploração mineral no fundo dos oceanos.

O estudo aponta que, mesmo no cenário ambientalmente mais favorável, a mineração precisará crescer expressivamente. Projeções indicam a necessidade de 50% a mais de cobre e 180% a mais de lítio em relação aos patamares atuais, mesmo considerando a reciclagem e a substituição de materiais. O equacionamento do setor exige respostas estruturadas para três questões fundamentais: quanto minerar, onde minerar e como minerar.

O volume necessário pode ser gerido por design industrial eficiente, substituição de materiais e reaproveitamento. No quesito localização, o licenciamento deve afastar a atividade de ecossistemas sensíveis, como partes da Amazônia, a cordilheira dos Andes e florestas tropicais centrais da África. Nos métodos operacionais, a indústria é desafiada a adotar a mineração de precisão, explorando salmouras de alta eficiência e investindo na remineração de resíduos e transformação de rejeitos em novos produtos para a construção civil e remineralizadores de solo.

Nesse contexto, o Brasil dispõe de vantagens comparativas singulares, incluindo reservas expressivas de minerais estratégicos — como cobre, níquel, lítio, grafita, nióbio e terras raras —, matriz elétrica renovável e um corpo técnico qualificado. Para o país, padrões rigorosos de rastreabilidade e desempenho socioambiental configuram vantagens competitivas para atrair investimentos de longo prazo. Em contrapartida, o afrouxamento de regras ou o desmonte de órgãos de controle em busca de ganhos imediatos de velocidade pode acarretar custos futuros graves, como perda de reputação internacional e judicialização de projetos.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/infra/2050-comeca-agora-as-escolhas-que-vao-definir-a-mineracao-do-futuro/

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