As eleições em Israel colocam frente a frente projeções apertadas e um cenário de indefinição política. Com um sistema parlamentarista onde são necessários 61 votos no Parlamento para governar, as pesquisas divulgadas na véspera do pleito mostram o bloco oposicionista com 52 deputados — abrangendo da centro-esquerda à direita não religiosa — contra 50 assentos do bloco governista.
Para alcançar a maioria necessária, os grupos buscam alternativas de alianças. O bloco de oposição descartou alianças formais com os dois partidos que representam a população palestina com cidadania israelense, que somam 20% do total do país, mas aponta-se a possibilidade de um acordo de aliança implícita, evitando votos de desconfiança. Por sua vez, o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu dispõe de maior margem para atrair os partidos ultrarreligiosos Judaísmo Unido da Torá (asquenaze) e Shas (sefarditas), além da alternativa distante de um governo de união nacional. Caso as articulações falhem, novas eleições poderão ser convocadas.
Campanha eleitoral e segurança
Em sua campanha, Netanyahu acusa os opositores de fraqueza e de serem a preferência dos inimigos do país. Entre os episódios marcantes da disputa, o premiê divulgou uma imagem gerada por inteligência artificial que simulava uma bomba atômica explodindo sobre Telavive, retratando o cenário como um possível segundo Holocausto promovido pelo Irã.
Apesar de acumular dezenove anos no poder e de o país ter sido surpreendido pelos ataques do Hamas vindos de Gaza em 7 de outubro de 2023 — massacre que resultou em 1,2 mil mortes —, Netanyahu manteve sua sobrevivência política. Ele não assumiu responsabilidade pelo ocorrido e barrou a criação de uma comissão independente para investigar os erros sistêmicos que antecederam a ofensiva, mantendo a narrativa de possuir um pulso insubstituível frente aos adversários de Israel.
Principais concorrentes
O principal adversário de Netanyahu na oposição é Gadi Eisenkot, general e ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, que perdeu um filho e dois sobrinhos na guerra de Gaza. Descendente de judeus marroquinos, Eisenkot não possui o mesmo traquejo internacional de Netanyahu, que estudou, trabalhou e morou nos Estados Unidos. A decisão final cabe aos eleitores israelenses, divididos entre optar por uma liderança militar com menor bagagem política em busca de mudança ou manter o veterano líder no poder.
