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Economia

Copom decide taxa Selic em meio a tensões entre governo e mercado

O Copom define nesta quarta-feira a taxa Selic em meio a divergências econômicas e fiscais entre o governo e o mercado financeiro.

Redação•04 de nov. de 2026, 04:30
Copom decide taxa Selic em meio a tensões entre governo e mercado
Imagem: site

Copom decide taxa Selic em meio a tensões entre governo e mercado

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulga na noite desta quarta-feira (4) a sua decisão sobre a taxa básica de juros, a Selic. A reunião ocorre em um cenário de debate intensificado e divergências entre o governo federal e o mercado financeiro em torno das taxas praticadas no país.

Até o final de outubro, a expectativa predominante no mercado era de um corte de 0,25 ponto percentual, o que reduziria a Selic de 13,75% para 13,5%, com projeção do boletim Focus para o encerramento do ano em 13,25%. No entanto, a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato presidencial levou agentes econômicos a recalcularem rotas diante de incertezas fiscais, do prêmio de risco, da desvalorização do real e de possíveis choques inflacionários.

A gestão petista lida com um impasse pela ausência de definições sobre o tratamento das contas públicas e sobre o titular do Ministério da Fazenda. Nesse ambiente de instabilidade, a bolsa registrou queda de 18% na semana pós-eleição e os juros futuros subiram ao longo da curva.

Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, avalia que o Banco Central deve adotar cautela. Segundo ele, a transição pós-campanha traz incertezas que o Copom não pode ignorar, embora não deva reagir a especulações antes de sua materialização em política econômica. Simioni pontua que, caso o novo governo mantenha a disciplina fiscal e evite gastos adicionais, o Banco Central terá espaço para cortes graduais, enquanto estímulos à demanda e flexibilizações fiscais elevam o prêmio de risco e o custo de financiamento.

Contratos de opções de Copom negociados na B3 indicam que mais de 70% dos investidores projetam a manutenção da Selic em 13,75%. O boletim Focus também aponta expectativas elevadas para taxas e preços até 2030.

Repercussão política e debates econômicos

A tensão sobre a política monetária ganhou força com especulações sobre um encontro entre Lula e o economista André Lara Resende, que em setembro defendeu a redução de juros para conter a dívida pública e a criação de um comitê conjunto para as políticas fiscal e monetária. A possibilidade gerou debates nas redes sociais entre apoiadores e críticos, incluindo manifestações da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) no X.

À CNN Brasil, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou a organização do encontro. Por sua vez, o economista José Sérgio Gabrielli distribuiu um documento elogiando o fim do pensamento único e citando Lara Resende, o que levou o PT a frear especulações sobre um controle artificial dos juros. Lula buscou centralizar em Durigan o papel de porta-voz fiscal, e o ministro declarou a jornalistas que o tabelamento de juros e a queima de reservas cambiais não estão sendo avaliados.

Em entrevista ao CNN Money, Claudio Frischtak, presidente da Inter.B Consultoria e ex-consultor do Banco Mundial, classificou propostas de redução forçada de juros como uma péssima ideia, destacando a fragilidade do Brasil diante do endividamento público e da desorganização das contas públicas.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/bc-decide-juros-em-meio-a-queda-de-braco-entre-governo-e-o-mercado/

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