Após reduzir os juros em 0,25 ponto percentual pela quinta vez consecutiva, fixando a taxa Selic em 13,75% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) indicou que os próximos passos do ciclo de calibração dependerão diretamente das novas informações sobre a economia brasileira.
De acordo com o comunicado divulgado nesta quarta-feira (16), o colegiado reforçou que a magnitude total desse ciclo será estabelecida com o objetivo de assegurar a convergência da inflação à meta. O Banco Central reconhece que o cenário apresenta riscos mais elevados do que o usual, com a balança inclinada para uma tendência de alta na inflação.
Entre os principais elementos inflacionários monitorados pelo Copom estão:
- A desancoragem prolongada das expectativas de inflação, com previsões de longo prazo incorporando impactos de segunda ordem decorrentes de choques de oferta ligados à guerra no Oriente Médio e ao fenômeno El Niño;
- Uma resiliência na inflação de serviços acima das projeções;
- O impacto de políticas econômicas internas e externas com maior efeito inflacionário, com destaque para uma taxa de câmbio persistentemente depreciada;
- Estímulos à demanda agregada e ao consumo que levem a um crescimento da atividade econômica superior ao potencial, enfraquecendo a transmissão da política monetária.
O ambiente externo continua marcado por incertezas devido aos conflitos armados no Oriente Médio e às dúvidas sobre a política monetária em economias avançadas, exigindo cautela de países emergentes diante da alta volatilidade em preços de ativos e commodities. No âmbito doméstico, os indicadores recentes apontam uma moderação gradual da atividade — embora ainda resiliente em alguns setores — e um mercado de trabalho aquecido.
As divulgações mais recentes mostram que a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, ficando abaixo do teto do intervalo de tolerância, mas ainda acima da meta. Segundo a pesquisa Focus, as expectativas para 2026 e 2027 estão em 4,9% e 4,3%, respectivamente. Já a projeção do Copom para o primeiro trimestre de 2028 situa-se em 3,2% no cenário de referência.
Entre os riscos de baixa apontados pelo comitê estão uma desaceleração econômica doméstica mais acentuada, um arrefecimento global mais pronunciado por choques de comércio e petróleo, e a redução nos preços das commodities. O colegiado também acompanha os reflexos da política fiscal nos ativos financeiros e reforça a cautela diante do cenário incerto.
Participaram da votação e acompanharam a decisão os seguintes membros do Copom: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.
