NewsHub
Economia

Corte de gastos domina expectativas do mercado financeiro antes das eleições

Expectativa de corte de gastos impulsiona alta de 15,2% no Ibovespa antes do primeiro turno das eleições presidenciais.

Redação•03 de out. de 2026, 05:30
Corte de gastos domina expectativas do mercado financeiro antes das eleições
Imagem: site

Corte de gastos domina expectativas do mercado financeiro antes das eleições

Ouça esta matéria em voz alta

A expectativa em torno da eleição presidencial tornou-se o ponto central para o mercado financeiro nas últimas semanas. Entre o início da campanha eleitoral e o último pregão anterior ao primeiro turno, o Ibovespa acumulou uma valorização de 15,2%.

Especialistas ouvidos pelo CNN Money indicam que esse desempenho positivo é impulsionado pela projeção de que o futuro presidente realize um ajuste nas contas públicas. Carlos Kawall, ex-secretário do Tesouro e fundador da Oriz Parters, aponta que, apesar das recentes reduções na taxa de juros, a Selic permanece em patamar elevado em decorrência da política de expansão de gastos, fator que exerce pressão sobre a inflação e influencia diretamente as decisões dos investidores.

Segundo Kawall, um reequilíbrio entre as políticas, com a adoção de uma postura fiscal mais contracionista, abriria espaço para novas quedas nos juros, o que funcionaria como um forte estímulo para a bolsa de valores. O especialista também destaca que o mercado financeiro associa as medidas voltadas para o corte de gastos ao candidato Flávio Bolsonaro (PL).

De acordo com Carlos Kawall, caso o resultado do primeiro turno indique que Flávio Bolsonaro esteja à frente do presidente Lula, o cenário tende a ser interpretado como um evento de alta para a bolsa. Contudo, o candidato de oposição enfrenta o desafio de garantir a estabilidade política, valor considerado essencial pelo mercado, mas que sofreu desgaste após conflitos entre o bolsonarismo e as instituições.

Foco na economia, não na ideologia

Analistas ressaltam que a reação dos mercados à disputa eleitoral está fundamentada nas expectativas para a economia, e não em preferências ideológicas. Alex Lima, da Guide Investimentos, pontua que, independentemente do vencedor ser de direita ou de esquerda, o próximo governante assumirá o país com despesas obrigatórias equivalentes a 92% do orçamento e um elevado estoque de dívida.

Kawall exemplifica a situação mencionando os Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump, de direita, tem adotado uma política de populismo fiscal que elevou as taxas de juros a patamares históricos.

Desafios além da política fiscal

As atenções dos investidores não se limitam ao âmbito fiscal. Os reflexos do conflito no Oriente Médio e da guerra comercial conduzida por Donald Trump também devem influenciar diretamente o mercado brasileiro. No cenário interno, permanecem no radar os debates sobre privatizações e os desdobramentos da reforma tributária.

Alex Lima avalia que, encerrado o pleito, a atenção do mercado se voltará para esses temas, em um momento em que a geopolítica passa a influenciar fortemente a macroeconomia. Na segunda-feira seguinte à votação, os investidores reagirão não apenas aos nomes que disputarão o segundo turno, mas também à apuração dos votos e ao resultado da eleição para o Senado, elemento essencial para assegurar governabilidade ao próximo chefe do Executivo.

A reação inicial, no entanto, tende a ser de curto prazo, exigindo posteriormente a concretização das promessas de campanha em políticas econômicas eficazes, conforme apontado por Zeina Latif.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/mercado/corte-de-gastos-protagoniza-expectativa-do-mercado-as-vesperas-da-eleicao/

Compartilhar