Cotado para assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), tem direcionado esforços para atrair investimentos privados com foco em setores estratégicos da economia estadual, como a pesquisa de terras raras, a produção de hidrogênio verde e a melhoria da infraestrutura. A estratégia do governador une a expansão do conhecimento geológico, incentivos industriais e concessões de serviços públicos.
Fonteles é apontado como um dos nomes considerados para comandar a equipe econômica de Lula a partir de 2027. Conforme divulgado pela CNN, o governador sinalizou a aliados estar disposto a assumir um cargo no governo federal caso receba o convite do presidente. Reeleito no primeiro turno com 70,90% dos votos válidos, Fonteles ganhou projeção nacional após atuar no núcleo da campanha de Lula no segundo turno. Antes de chegar ao governo do Piauí em 2023, ele comandou a Secretaria da Fazenda estadual e presidiu o Comsefaz, sendo formado em matemática com mestrado em economia matemática.
Aposta em terras raras
Uma das frentes recentes da gestão envolve as terras raras, grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de ímãs permanentes, motores elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de alta tecnologia. O Piauí tem chamado a atenção de empresas estrangeiras após levantamentos geológicos apontarem potencial para esses elementos. Entre as companhias interessadas está a canadense Origen Resources, atuante no projeto Picos. Em setembro, a mineradora relatou o mapeamento geológico de uma área com indícios de mineralização e a coleta de 328 amostras de solo, além de levantamentos geofísicos aerotransportados.
No mesmo mês, a Origen anunciou a aquisição de uma participação de 70% no projeto Campo de Cima, que abrange 33.075 hectares entre o Piauí e a Bahia. Estudos preliminares apontam potencial para depósitos associados a argilas de adsorção iônica. Apesar do interesse, os projetos seguem em fase de pesquisa e necessitam de novas investigações para determinar a viabilidade comercial.
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) também identificou 39 novas ocorrências de rochas associadas a fosfato, urânio e terras raras na borda oriental da Bacia do Parnaíba em um levantamento de 2025. Em novembro do ano passado, Fonteles reuniu-se em Brasília com a então diretora-presidente do SGB, Sabrina Góis, para discutir parcerias de mapeamento geológico e ampliar o apoio técnico no setor.
Investimentos em hidrogênio verde
Na área de energia, a política econômica de Fonteles busca transformar o Piauí em um polo de hidrogênio verde, aproveitando a energia solar e eólica local. O combustível é gerado por eletrólise da água com eletricidade renovável e pode substituir insumos fósseis na siderurgia e fabricação de fertilizantes. O governo pretende usar a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Parnaíba para atrair indústrias voltadas ao mercado interno e à exportação.
Em 2024, Fonteles sancionou a Lei nº 8.459, que criou a Política Estadual do Hidrogênio Verde. O projeto de maior destaque foi o da espanhola Solatio, com plano de R$ 27 bilhões para instalar uma unidade de hidrogênio e amônia verdes em Parnaíba, projeto autorizado em 2025 que enfrentou entraves ambientais e de infraestrutura. Em outubro de 2026, o governo anunciou avanços em estudos para uma planta-piloto de hidrogênio líquido no município. O combustível, contudo, ainda é tratado como aposta de médio e longo prazo devido aos elevados custos e à ausência de demanda consolidada.
Infraestrutura e concessões
A estratégia econômica também engloba a infraestrutura logística e concessões. Em junho de 2026, o Porto Piauí, em Luís Correia, iniciou uma nova etapa operacional para exportação de minério de ferro para a China, associada à produção da Lion Mining em Piripiri. O governo também concedeu os serviços de água e esgoto à iniciativa privada e ampliou uma parceria público-privada rodoviária no sul do Piauí, incorporando mais de 307 quilômetros de estradas geridas pela CS Grãos do Piauí.
Segundo balanço divulgado pelo governo estadual em fevereiro deste ano, o Piauí atraiu 120 empreendimentos desde 2023, entre projetos instalados e em implantação, somando investimentos de R$ 44,7 bilhões.
