NewsHub
Segurança

Criminosos usam TikTok para promover venda de abuso infantil no Telegram

Investigação monitorou perfis que utilizam códigos no TikTok para direcionar usuários ao Telegram, onde pacotes de abuso sexual infantil são comercializados.

Redação•05 de out. de 2026, 05:30
Criminosos usam TikTok para promover venda de abuso infantil no Telegram
Imagem: site

Criminosos usam TikTok para promover venda de abuso infantil no Telegram

Ouça esta matéria em voz alta

Investigações e monitoramentos recentes apontam que criminosos estão utilizando perfis e publicações na rede social TikTok para promover a comercialização de conteúdos de abuso sexual infantil. A divulgação ocorre de maneira dissimulada nos comentários das postagens, onde são empregados códigos específicos com o intuito de burlar os mecanismos de fiscalização da plataforma e direcionar os usuários interessados para o aplicativo Telegram, local onde o material ilícito é efetivamente vendido.

O monitoramento acompanhou mais de 30 perfis na plataforma por semanas, identificando que o esquema utiliza vídeos variados — incluindo conteúdos sem relação aparente, gravações com crianças ou simulações geradas por inteligência artificial — para atrair o público. Nos espaços de comentários, os criminosos e até mesmo potenciais compradores utilizam códigos para interagir de forma velada. Mais de 35 links vinculados a essa prática foram localizados.

No Telegram, o material é comercializado em pacotes contendo fotos e vídeos, com preços que podem variar e ofertas a partir de R$ 10, valores reduzidos devido à concorrência entre os vendedores. Os pagamentos são realizados por meio de criptomoedas ou PIX. A Polícia Federal alerta que, embora os criminosos acreditem na impunidade ao utilizar contas de terceiros — como laranjas ou ex-namoradas —, as transferências via PIX deixam rastros fundamentais para investigações, e as instituições financeiras costumam bloquear transações atípicas.

A venda ocorre por meio de conversas privadas, interações com robôs (bots) ou através de "miniapps", páginas desenvolvidas em JavaScript dentro do próprio Telegram que simulam sites sem exigir que o usuário saia do aplicativo. Antes de concluir as transações, os criminosos frequentemente enviam amostras gratuitas ou vídeos autodestrutivos para ganhar a confiança dos compradores e incentivar o compartilhamento de novos links.

Especialistas e representantes de órgãos de proteção reforçam que a legislação brasileira pune toda a cadeia envolvida. Recentemente, em 6 de agosto de 2026, novas regras sancionadas endureceram as penas para a produção, venda, aquisição ou posse de materiais de violência sexual contra menores, prevendo reclusão de até 10 anos, além de abranger solicitações feitas em ambientes digitais.

Procuradas, as plataformas se manifestaram sobre o caso:

  • Telegram: Afirmou que proíbe expressamente a distribuição desse tipo de conteúdo, relatando a remoção de mais de 339 mil grupos e canais no ano de 2026 e o uso de moderação automatizada por hashes e denúncias.
  • TikTok: Declarou que remove publicações rapidamente, bane contas envolvidas e utiliza tecnologia de ponta para fiscalização, reportando os casos ao Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC).
  • Meta: Indicou que a empresa emprega grandes esforços e investimentos em tecnologia para detectar violações às suas regras em outras plataformas, como o Instagram, cujos filtros foram apontados por fontes como mais rígidos em relação a esse tipo de termo.

Levantamentos da SaferNet Brasil e dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicam um crescimento contínuo nos registros de produção, posse e distribuição de material de abuso infantil no país, ressaltando o papel das redes sociais como portas de entrada para o aliciamento de crianças e jovens.

Fonte: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/09/25/tiktok-e-usado-por-criminosos-para-promover-a-venda-de-conteudo-de-abuso-sexual-infantil-no-telegram-g1-monitorou-perfis.ghtml

Compartilhar