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Crise política no Paraguai se agrava com avanço de impeachment contra Santiago Peña

Congresso do Paraguai inicia trâmites para votar impeachment do presidente Santiago Peña em meio a crise bancária gerada pelo fechamento do banco Ueno.

Redação•06 de nov. de 2026, 03:30
Crise política no Paraguai se agrava com avanço de impeachment contra Santiago Peña
Imagem: site

Crise política no Paraguai se agrava com avanço de impeachment contra Santiago Peña

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A crise política no Paraguai se intensificou nesta quinta-feira (5), com o Congresso nacional dando os primeiros passos para votar um processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña e seu vice. A medida ocorre em meio a uma grave crise bancária no país, impulsionada pelo fechamento do banco digital Ueno, que deixou milhares de clientes sem acesso aos seus recursos financeiros.

O isolamento político de Peña aumentou após a retirada de apoio de sua própria base governista e do Partido Colorado. O presidente do Congresso, Basilio Nuñez, e o líder do partido e ex-presidente, Horacio Cartes, retiraram o respaldo ao mandatário. A imprensa paraguaia aponta que há expectativas de que Peña possa renunciar ao cargo antes da conclusão do processo de impeachment, tendo circulado informações de que ele já teria assinado uma carta de renúncia.

Uma sessão extraordinária foi iniciada pelo Congresso para debater o pedido de impeachment, formalizado por 35 deputados. Para que o processo seja aberto, é necessária a aprovação de dois terços dos parlamentares presentes. Todas as bancadas do Legislativo sinalizaram voto favorável ao afastamento.

Acusações e crise financeira

A oposição acusa Santiago Peña de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários, além de alegar que o Banco Central do Paraguai encobriu irregularidades. Durante a sessão, a deputada de oposição Rocío Vallejo criticou duramente o presidente: “Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou”.

Economista e ex-ministro da Fazenda, Peña foi acionista do grupo controlador do Ueno até março do ano passado. O banco digital, pertencente ao Grupo Vázquez, encerrou as atividades na terça-feira (3) após o banco central decretar sua liquidação por falta de recursos para cobrir obrigações financeiras. A instituição contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo verbas do Instituto de Previdência Social.

Reações e desdobramentos

Antes de perder o apoio político, Santiago Peña publicou em redes sociais que os responsáveis pelas irregularidades vão responder à Justiça e promulgou uma lei para acelerar a recuperação de valores pelos correntistas do Ueno. “Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, declarou.

No âmbito judicial, a Procuradoria emitiu mandados de prisão e executivos do banco se entregaram às autoridades. No total, 27 pessoas ligadas à instituição financeira foram formalmente acusadas, e a Justiça determinou o bloqueio dos bens dos investigados.

A instabilidade gerou temores generalizados no sistema financeiro, com relatos de falhas em aplicativos de outras instituições e grandes filas de clientes buscando migrar suas contas. A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) garantiu que o restante do sistema financeiro opera com normalidade.

Fonte: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/11/05/crise-politica-no-paraguai-se-agrava-e-presidente-do-congresso-pede-que-pena-renuncie.ghtml

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