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Cronologia da saída de Flávio Bolsonaro para os EUA inclui escala na Argentina e carta com teor golpista

Senador Flávio Bolsonaro chegou aos EUA em um avião particular nesta quarta-feira e publicou carta com teor golpista autodenominando-se líder do Brasil.

Redação•29 de out. de 2026, 04:30
Cronologia da saída de Flávio Bolsonaro para os EUA inclui escala na Argentina e carta com teor golpista
Imagem: site

Cronologia da saída de Flávio Bolsonaro para os EUA inclui escala na Argentina e carta com teor golpista

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou nos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (28), acompanhado pela esposa e pelas duas filhas, a bordo de um avião particular. Durante a tarde do mesmo dia, ele publicou uma carta com teor golpista na qual se autodeclara "líder" do Brasil. Inicialmente, aliados informaram que ele havia deixado o país na véspera.

De acordo com dados da plataforma FlightRadar24, Flávio deixou o território brasileiro pela fronteira com a Argentina às 22h50 da terça-feira, fez uma escala em Guayaquil, no Equador, e aterrissou às 9h23 (10h23 no horário de Brasília) no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, na Flórida.

De Foz do Iguaçu a Miami

A saída do parlamentar foi marcada por desencontros de informações sobre seu paradeiro. Enquanto aliados e interlocutores nos Estados Unidos afirmavam que ele já havia deixado o Brasil, Flávio passou a terça-feira em uma fazenda na região de Foz do Iguaçu, no Paraná, conforme divulgado pela emissora argentina C5N.

Por volta das 22h50, ele, a esposa e as filhas cruzaram a Ponte Internacional Tancredo Neves, na fronteira entre Brasil e Argentina (na província de Misiones), e seguiram para o aeroporto de Puerto Iguazú. O grupo embarcou em um jato particular Gulfstream G400 (matrícula LV-JQW), operado pela empresa argentina Baires Fly, com capacidade para 13 passageiros e camas para seis pessoas simultaneamente, capaz de atingir até 850 km/h.

A rota evitou o espaço aéreo brasileiro, passando por Paraguai, Bolívia e Peru. A aeronave parou em Guayaquil para abastecimento por volta das 5h35 desta quarta-feira, sobrevoou o Panamá e Cuba, e seguiu para Miami. O voo chegou a ser o mais monitorado do mundo na plataforma FlightRadar24, com cerca de 53 mil pessoas acompanhando a trajetória às 10h18.

Flávio utilizou um passaporte italiano para entrar na Argentina e, para ingressar nos EUA, teria usado um passaporte diplomático brasileiro cancelado na véspera. A Polícia Federal (PF) informou que não há registro oficial de saída do senador pelos postos de controle migratório brasileiros e esclareceu que restrições a documentos de viagem não tornam alguém foragido nem autorizam prisão ou vigilância permanente por si sós.

Reações de aliados, família e defesa

A mãe do senador, a ex-vereadora Rogéria Bolsonaro, lamentou a viagem nas redes sociais, afirmando que o filho foi obrigado a deixar o país devido a perseguições. Horas depois, Jair Bolsonaro obteve autorização do STF para receber a visita do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, em encontro previsto para esta quinta-feira (29) por volta das 11h.

A bancada do PL manifestou total apoio ao senador. Os líderes na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e no Senado, Carlos Portinho (RJ), criticaram a cobertura da imprensa e contestaram o termo "foragido". O advogado de Flávio, Tracy Reinaldet, afirmou à CNN Brasil que havia combinado a entrega dos passaportes à PF na terça-feira — prazo final da ordem judicial — e que foi surpreendido pela viagem, tomando conhecimento dela pela imprensa, sem que a possibilidade de deixar o país fosse cogitada.

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro publicou uma imagem ao lado do irmão nos EUA, afirmando que o registro foi feito nesta quarta-feira.

Cobranças da oposição e postura do Planalto

Parlamentares da oposição acionaram a Polícia Federal para apurar as circunstâncias da saída de Flávio do Brasil e investigar possíveis redes de apoio político e financeiro, incluindo eventual participação de integrantes dos governos de Donald Trump e Javier Milei. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), e o deputado Rogério Correia (MG) assinam a cobrança.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou seus ministros a evitarem manifestações recorrentes sobre o caso. A avaliação no Palácio do Planalto é que os desdobramentos devem ficar sob a responsabilidade da Polícia Federal e do Ministério da Justiça para evitar alimentar narrativas de perseguição política.

Carta com teor golpista e divisão entre aliados

No início da noite, Flávio publicou uma carta afirmando que a eleição presidencial foi fraudada, sem apresentar provas. Na versão inicial, autodeclarava-se o "verdadeiro presidente eleito do Brasil"; minutos depois, alterou o trecho para "líder do Brasil". No texto, declarou intenção de comandar a oposição do exterior e comparou sua situação à de Rui Barbosa e Charles de Gaulle.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou em nota que as eleições ocorreram dentro da absoluta normalidade, com respeito aos ditames legais e constitucionais, assegurando a vontade do eleitorado.

A carta gerou divergências entre aliados. Enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), compreendeu a indignação de Flávio mas defendeu o respeito ao resultado das urnas e a necessidade de olhar para frente, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que o partido não pode endossar a alegação de fraude por falta de provas. O União Brasil também reconheceu a lisura do processo eleitoral e a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/da-argentina-a-carta-com-teor-golpista-veja-a-cronologia-da-fuga-de-flavio/

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