Após a divulgação de uma carta com teor golpista pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aliados do ex-candidato à Presidência se pronunciaram publicamente para defender o resultado do segundo turno das eleições, que consagrou a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em sua manifestação inicial, Flávio não reconheceu a derrota, alegou fraude sem apresentar provas e chegou a declarar-se “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos mais tarde, o texto foi apagado e republicado sem essa frase, com o senador passando a se intitular “líder” do país.
Diante das acusações, a Justiça Eleitoral destacou que qualquer cidadão pode realizar o download dos arquivos das urnas eletrônicas para auditar o pleito. O órgão pontuou que os Boletins de Urna, os logs e o Registro Digital do Voto encontram-se disponíveis ao público com dados detalhados sobre o funcionamento dos equipamentos.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, emitiu uma nota afirmando que o pleito ocorreu dentro da absoluta normalidade e com respeito à legalidade constitucional. O ministro ressaltou que a apuração foi conduzida com segurança graças à atuação dos técnicos do tribunal e pontuou que eventuais questionamentos dentro do devido processo legal serão respondidos.
Posicionamento de aliados
Diversos integrantes da campanha e aliados políticos também se manifestaram contrários aos termos da carta divulgada pelo senador:
- Tarcísio de Freitas: O governador reeleito de São Paulo (Republicanos) afirmou que a oposição deve atuar dentro das instituições democráticas e respeitar o resultado das urnas, ressaltando que entende a indignação de Flávio, mas que o momento exige responsabilidade e serenidade.
- Rogério Marinho: Líder da Oposição no Senado e coordenador de campanha (PL-RN), declarou que não é possível sustentar alegações de fraude sem provas e classificou a manifestação como um desabafo pessoal.
- Partidos aliados: O União Brasil divulgou nota pontuando que o processo eleitoral transcorreu com lisura. O presidente da sigla, Antônio Rueda, destacou que a soberania popular se manifestou livremente. Agremiações como Republicanos, Podemos e MDB também reconheceram a vitória do pleito.
Contexto da carta e votação
Na carta divulgada nesta quarta-feira, Flávio Bolsonaro confirmou estar nos Estados Unidos com a família para liderar a oposição a partir do exterior. O senador criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou a votação no domingo até as 19h.
Dados do TSE apontam que Lula venceu o segundo turno com 64.256.232 votos (51,79%), enquanto Flávio obteve 59.826.041 votos (48,21%), registrando uma diferença de cerca de 4,4 milhões de votos. Informações oficiais mostraram que 34.393 votos foram computados após as 17h, montante que representaria menos de 1% da diferença final entre os concorrentes. No próprio domingo, Nunes Marques já havia pontuado que a prorrogação não comprometeu a lisura do processo.
