A determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), exigindo a entrega dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a sua derrota na eleição presidencial, gerou insatisfação e debate entre magistrados da Corte. De acordo com informações repassadas pela editora de VEJA Laryssa Borges no programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, parte dos integrantes do tribunal avalia que a medida foi intempestiva e acabou gerando um efeito político positivo para o candidato derrotado, fortalecendo a narrativa de perseguição propagada por seus aliados, além de trazer preocupações sobre um possível desgaste institucional.
As avaliações internas indicam que não existe um entendimento uniforme no STF sobre o caso. Magistrados apontam que a escolha do momento para reter os documentos devolveu protagonismo à Corte em um embate político que poderia arrefecer após o fim das urnas. Uma das declarações destacadas no programa aponta que a medida recolocou o tribunal em um cenário de atrito que poderia ser amenizado com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Os próprios magistrados, contudo, desconhecem a totalidade dos motivos que fundamentaram a decisão de Moraes naquele instante.
Foro privilegiado e investigações
Mesmo com a derrota eleitoral, Flávio Bolsonaro continua sob a jurisdição do Supremo. A interpretação atual da Corte permite que apurações sobre atos praticados durante o mandato parlamentar permaneçam no tribunal mesmo após o término do cargo. Caso o mandato se encerre em janeiro de 2027, Moraes seguiria responsável pelos procedimentos. A situação jurídica seria distinta se o senador tivesse vencido a disputa presidencial, cenário em que investigações anteriores ao cargo e sem relação com a Presidência ficariam suspensas.
Preocupação com o Congresso e articulações no Senado
A repercussão da decisão também é ponderada diante da nova composição do Congresso. Integrantes do STF demonstram apreensão com o crescimento de parlamentares de direita no Senado, Casa competente para analisar pedidos de impeachment contra ministros da Corte. O temor é que novos confrontos entre Moraes e Flávio Bolsonaro aumentem a pressão política sobre o tribunal.
Nesse cenário, a disputa pela presidência do Senado ganhou relevância estratégica. O atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre, informou a ministros que atua para garantir sua recondução ao cargo, dialogando com parlamentares de direita. A permanência de Alcolumbre é bem vista por alas do Supremo devido à sua proximidade com magistrados, em especial com Moraes, o que reduz o receio de avanço célere de pedidos de impeachment por opositores.
Viagem e indícios diplomáticos
No âmbito internacional, setores do Itamaraty identificam sinais de atuação do secretário de Estado americano, Marco Rubio, para facilitar a entrada de Flávio Bolsonaro e de seus familiares nos Estados Unidos. Diplomatas avaliam que Rubio pode ter tido um papel mais expressivo nessa movimentação do que o presidente Donald Trump.
Sobre a rota utilizada pelo senador, o trajeto permanece incerto. Parte do corpo diplomático investiga a hipótese de que ele tenha transitado pela Venezuela antes de chegar aos Estados Unidos, embora não haja confirmação oficial. As autoridades brasileiras seguem apurando as circunstâncias da viagem e a eventual influência americana no episódio.
