O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que teria aprovado a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL) no território norte-americano e classificou as eleições presidenciais brasileiras como “terríveis” e conduzidas de maneira “muito estranha”. A declaração foi feita a um repórter na madrugada de quarta-feira (28), quando o líder norte-americano afirmou considerar que se tratam de “boas pessoas”.
A manifestação de Trump ocorreu após um assessor confirmar à CNN que o governo dos EUA autorizou a chegada do senador após a derrota nas eleições presidenciais. Na segunda-feira (26), autoridades da gestão norte-americana já estavam cientes de que o político brasileiro tinha cerca de 24 horas para entregar seu passaporte, tendo sinalizado que a admissão no país seria permitida.
Segundo uma fonte brasileira próxima a Flávio Bolsonaro, o senador temia uma prisão no Brasil. Ele é alvo de investigações sobre supostos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Uma pessoa informada sobre a situação relatou à CNN na tarde de terça-feira (27) que o senador desembarcou nos EUA acompanhado de sua esposa e de suas filhas, embora o local exato do desembarque não tenha sido esclarecido. Até o momento, não há confirmação se Trump e o político brasileiro conversaram por telefone antes da viagem.
Contexto da viagem e cancelamento de passaportes
A saída do senador do país aconteceu depois que a Polícia Federal (PF) solicitou a entrega de seus documentos de viagem na segunda-feira. Na manhã de terça-feira, a corporação acionou autoridades da Argentina diante de um eventual risco de fuga. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado a entrega dos documentos à PF até as 11h, o que não ocorreu.
Diante do descumprimento, a Polícia Federal cancelou tanto o passaporte comum quanto o passaporte diplomático do parlamentar, inserindo restrições nos sistemas migratórios de portos e aeroportos ao redor do mundo. A medida do STF foi tomada por receio de fuga levantado por investigadores que conduzem o inquérito contra Flávio. A suspeita foi reforçada por uma declaração anterior do irmão do senador, Eduardo Bolsonaro, que afirmou em uma entrevista na internet apoiar a saída de Flávio do Brasil caso ele perdesse a disputa eleitoral, o que se confirmou no domingo (25).
Repercussão no Brasil e críticas de Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou publicamente a viagem do senador durante a celebração de seu aniversário de 81 anos, realizada no Palácio da Alvorada. “Fico imaginando o que tem na consciência um cidadão que acabou de perder as eleições e foge do seu país. Quem não deve, não teme. O cidadão que sai escondido desse país deve alguma coisa. E não vá dizer que não há democracia”, declarou o petista.
Lula lamentou o que chamou de falta de respeito com os eleitores e com a democracia, relembrando que permaneceu no Brasil após suas derrotas nas urnas para Fernando Collor (1989) e Fernando Henrique Cardoso (1994 e 1998). O presidente também afirmou que, quando foi acusado durante a Operação Lava Jato, recusou convites para deixar o país para provar sua inocência, acrescentando que entregou seu passaporte quando solicitado. Na ocasião, o petista também afirmou que plataformas digitais — incluindo a Meta —, o mercado financeiro e o governo dos Estados Unidos atuaram contra a sua reeleição, reiterando que “o Brasil não é quintal de ninguém”.
