O presidente nacional do PT, Edinho Silva, declarou neste domingo (25) que a suspensão da gratuidade no transporte público configura uma interferência direta no pleito. Diante de relatos sobre dificuldades enfrentadas por eleitores para se deslocarem durante o segundo turno, o dirigente cobrou medidas da Justiça Eleitoral para garantir o exercício do voto.
“Suspender o transporte gratuito vai contra a lei e significa interferência direta no processo eleitoral. As denúncias são gravíssimas e cabe à Justiça Eleitoral garantir que todos possam votar nesse segundo turno. Quem descumpre a lei está cometendo um crime contra a democracia”, afirmou o presidente do partido.
Edinho também manifestou dúvidas sobre a eficácia da ampliação do horário de votação para atender aos cidadãos que acabaram desistindo de votar após longas esperas por ônibus.
“Eu não sei se o eleitor que deixou de votar vai para a escola agora, o eleitor que ficou esperando em fila de ônibus e o ônibus não apareceu, o eleitor que desistiu por falta de transporte. Pelo menos, minimamente, você garante o direito. Espero que a gente aprenda com esse processo eleitoral no Brasil e corrija, que os erros são graves e isso enfraquece a democracia”, pontuou, acrescentando que preferia não comentar a atuação de ministros.
Problemas de transporte e prorrogação da votação
As manifestações do dirigente ocorreram na sequência de relatos sobre escassez de coletivos e filas prolongadas em municípios como São Paulo e Salvador. A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recorreu à Justiça para solicitar a extensão do horário de votação nos municípios atingidos.
Em resposta aos problemas, a Prefeitura de Salvador declarou que o serviço foi normalizado depois de paralisações em garagens. Por sua vez, a gestão municipal de São Paulo atribuiu a falha no cumprimento do reforço de frota a dificuldades operacionais.
Frente aos transtornos, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu a prorrogação da votação das 17h para as 19h (horário de Brasília). Mais tarde, o magistrado especificou que a extensão deveria valer exclusivamente nos locais onde as urnas ainda não tinham sido fechadas, vedando a reabertura daquelas já encerradas.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também havia requerido mais tempo de votação em cidades afetadas por bloqueios de vias e chuvas. Enquanto isso, ministros do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) descartaram a possibilidade de anulação da eleição presidencial.
