Três grupos demográficos se destacam como potenciais definidores do resultado nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, as chamadas Midterms: os eleitores latinos, os evangélicos brancos e as mulheres. O comparecimento às urnas surge como um dos fatores centrais da disputa pelo controle do Congresso norte-americano.
De acordo com Fernanda Magnotta, analista de Internacional da CNN, que conversou com o programa Hora H diretamente de Washington, o ato de votar faz toda a diferença. “Nem todo eleitor vai às urnas votar e quem comparece é que, de fato, faz a diferença”, declarou.
O eleitorado latino e a insatisfação
Cerca de 36 milhões de eleitores latinos estão aptos a participar das Midterms. Magnotta ressaltou que esse grupo é internamente diversificado. “O cubano que está na Flórida não é igual ao mexicano que está no Texas, que não é igual ao porto-riquenho que está na Pensilvânia”, pontuou, destacando que a heterogeneidade envolve país de origem, geração, renda e escolaridade.
Apesar de o presidente americano, Donald Trump, ter conquistado aproximadamente metade do voto latino na última eleição presidencial, a insatisfação com a economia e a política migratória posiciona o grupo entre os mais críticos atualmente. “Se no campo geral ele tem cerca de 32% de aprovação, que já é baixo, entre os latinos ele chega a algo em torno de 26%”, afirmou a analista.
Evangélicos brancos e a disciplina eleitoral
Historicamente alinhados aos republicanos, os evangélicos brancos mantêm alta fidelidade partidária, com mais de 75% a 78% do eleitorado votando na legenda. O segmento é impulsionado por pautas conservadoras voltadas para costumes, aborto, saúde e educação.
Para Magnotta, a disciplina e o alto índice de comparecimento são marcas registradas do grupo. “Numa eleição tão acirrada, os republicanos precisavam e precisam que esse pessoal vá votar para diminuir a diferença do que parece ser uma vantagem democrata”, avaliou.
O peso do voto feminino
As mulheres também estão no centro das atenções das Midterms. Historicamente, a participação feminina supera a masculina nas urnas; no último pleito de meio de mandato, a vantagem foi de 2 pontos percentuais. “E 2% numa eleição apertada, que está nas margens de erro das pesquisas, pode fazer a diferença”, destacou Magnotta.
Além de pautas econômicas, as mulheres têm ampliado sua participação em debates públicos sobre direitos reprodutivos. Três perfis específicos concentram maior atenção: a mulher jovem, a mulher branca suburbana com escolaridade e a mulher branca suburbana sem escolaridade. “Certamente esses três grupos vão estar no coração daquilo que vem pela frente”, concluiu a analista.
