NewsHub
Mundo

Ex-embaixador aponta fator decisivo para a relação entre Brasil e EUA

Segundo o ex-embaixador Rubens Barbosa, manutenção de reunião sobre tarifas comerciais indicará os rumos da relação entre Brasil e EUA.

Redação•03 de nov. de 2026, 22:30
Ex-embaixador aponta fator decisivo para a relação entre Brasil e EUA
Imagem: site

Ex-embaixador aponta fator decisivo para a relação entre Brasil e EUA

Ouça esta matéria em voz alta

A manutenção de uma reunião agendada para debater as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil servirá como um termômetro essencial sobre os rumos diplomáticos entre as administrações de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. A análise foi feita pelo ex-embaixador brasileiro em Washington e Londres, Rubens Barbosa, durante participação no programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal.

Para o diplomata, observar se os Estados Unidos cumprirão o que estava combinado antes das eleições — mantendo o encontro para negociar as tarifas — é mais urgente e relevante do que antecipar os reflexos de um possível revés republicano no Congresso norte-americano. "Vamos ver se o que estava combinado antes da eleição, essa reunião para discutir, negociar as tarifas, vai acontecer", declarou Barbosa, acrescentando que a realização ou o cancelamento do diálogo indicará a postura futura da Casa Branca. "Isso vai dar um sinal de como vai ser a relação dos Estados Unidos com o Brasil", afirmou.

Segundo o ex-embaixador, o Departamento de Estado americano terá um papel central na condução dessa relação diplomática, superando a influência da própria Casa Branca. Barbosa avalia que a conduta do governo dos EUA perante as negociações comerciais definirá a abertura para um vínculo mais pragmático com Brasília. Ele também pontuou a cautela demonstrada por integrantes da gestão de Trump em relação ao Brasil, mesmo após a viagem de Flávio Bolsonaro ao território norte-americano, ressaltando que a diplomacia dos EUA tem evitado acirrar divergências políticas com o governo Lula.

Apesar disso, a efetivação do encontro comercial permanece incerta. "Se houver reunião, nós vamos ter uma reunião, uma relação mais tranquila, mais pragmática", ponderou o diplomata. Caso o encontro seja cancelado, a alteração na dinâmica bilateral ficará evidente.

Questionado sobre os desdobramentos de uma eventual derrota dos republicanos em ambas as casas do Legislativo norte-americano, Barbosa avaliou que tal cenário limitaria a execução da agenda interna de Donald Trump, mas não implicaria necessariamente uma alteração automática nos laços com o Brasil. "Eu acho que nós vamos ter que aguardar o resultado", disse, lembrando que o país não figura atualmente no topo das prioridades estratégicas de Washington.

O ex-diplomata apontou ainda que uma perda de maioria republicana no Congresso poderá voltar as atenções de Trump para a política externa, a exemplo do conflito com o Irã, além de atrair pressões internas com possíveis investigações parlamentares direcionadas ao governo e à família do presidente americano. No entanto, alertou que é precipitado vincular tais eventos a um endurecimento na postura americana contra o Brasil.

Durante a entrevista, Barbosa também comentou os fatores que explicam a queda na popularidade de Trump, apontando o encarecimento do custo de vida — com destaque para a alta nos preços de alimentos e combustíveis —, a insatisfação popular com a guerra no Irã e as medidas de imigração. Tais pontos, segundo ele, afastaram eleitores, incluindo membros da comunidade latina que antes apoiavam os republicanos, o que deve impactar o cenário político futuro e a sucessão presidencial de 2028.

Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/o-fator-que-vai-dar-sinal-sobre-a-relacao-do-brasil-com-os-eua-apos-as-eleicoes-aqui-e-la-segundo-ex-embaixador/

Compartilhar