As mulheres representam 51% do eleitorado nos Estados Unidos, somando cerca de 91 milhões de eleitoras. Em um país onde o voto não é obrigatório, elas comparecem às urnas em proporção superior à dos homens, o que faz do voto feminino um fator potencialmente decisivo nas eleições de meio de mandato (midterms).
Em análise transmitida pelo CNN Prime Time, o analista de Internacional Lourival Sant'Anna apontou que as americanas demonstram forte preocupação com a economia, o custo de vida e os direitos reprodutivos. Como muitas são chefes de família, elas sentem o impacto direto da alta nos preços, influenciando suas escolhas eleitorais.
Perfis e impacto nos votos
O analista indicou dois perfis distintos entre as eleitoras:
- Mulheres de renda mais baixa e sem ensino superior: São as mais afetadas pelo aumento do custo de vida. Segundo pesquisas, esse grupo tem deslocado o voto dos republicanos para os democratas ou optado por não votar.
- Mulheres com maior nível de escolaridade: Demonstram preocupação especial com os direitos reprodutivos. Sant'Anna destacou que o ex-presidente Donald Trump foi um protagonista na retirada dessa prerrogativa em nível federal.
A questão ganhou relevância após a derrubada da jurisprudência Roe vs. Wade pela Suprema Corte — atualmente de maioria conservadora —, fazendo com que a regulamentação do aborto passasse a ser atribuição estadual. Nas midterms, estão em disputa 36 cargos de governadores (18 estados governados por republicanos e 18 por democratas atualmente), num total geral de 26 estados republicanos e 24 democratas.
Queda de apoio a Donald Trump
Uma pesquisa da CNN apontou uma queda expressiva de 27 pontos percentuais no apoio a Donald Trump entre as mulheres trabalhadoras sem diploma universitário. Entre os homens com o mesmo perfil, a retração foi de 18 pontos percentuais. Para Sant'Anna, trata-se de uma perda de apoio no eleitorado mais fiel e importante do político.
Além do custo de vida e do aborto, o analista mencionou temas como guerra e corrupção como preocupações das eleitoras. Ele também ressaltou que os governadores possuem papel central na política americana, decidindo sobre a legalidade do aborto em cada estado.
Com 58 milhões de americanos já tendo votado antecipadamente, o analista ponderou que o volume de votos registrados no dia oficial da eleição poderá alterar o cenário apontado por pesquisas prévias, com possibilidade de participação eleitoral recorde.
