Uma eventual vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos não seria suficiente para modificar a maneira de governar do presidente americano, Donald Trump. A avaliação foi feita por Thiago de Aragão, CEO da Arko Advice Internacional, durante participação no programa Hora H.
Segundo o analista, o cenário político aponta para um mandatário cada vez mais dependente do uso de decretos. A disputa eleitoral funciona, na prática, como um referendo sobre a atual gestão. "Essa é uma campanha que é muito disputada, mas ela é, queira o Trump ou não, um referendo em cima do seu governo, do que foi feito até agora", afirmou Aragão.
Fatores econômicos e impacto eleitoral
Entre os elementos que exercem maior peso na avaliação do eleitorado, o especialista destacou a inflação e o custo de vida, que são sentidos de maneira intensa em estados republicanos. O preço dos combustíveis foi apontado como um dos principais símbolos das dificuldades enfrentadas pela administração.
De acordo com o CEO da Arko, esse indicador sofreu influência de uma série de fatores, tais como:
- A guerra contra o Irã
- A continuidade do conflito na Ucrânia
- A política tarifária implementada pela gestão de Trump, que afeta estados dependentes de indústrias estrangeiras
Equilíbrio limitado e risco de paralisia
Questionado sobre a possibilidade de que uma vitória democrata conseguisse restabelecer o sistema de pesos e contrapesos no país, o analista manteve cautela. "Esse equilíbrio vai surgir pelo menos um pouco melhor do que nós temos hoje, com o Congresso essencialmente republicano, mas não vai ser suficiente para mudar a forma do Trump de atuar", declarou.
Para Aragão, o presidente americano está habituado a governar por decreto e a tendência é intensificar essa prática nos próximos anos. Ele também avaliou que um triunfo democrata poderia gerar vantagens políticas para Trump, oferecendo um bode expiatório interno robusto para que falhas ou equívocos na economia e na política doméstica não recaiam inteiramente sobre sua responsabilidade.
Sobre a possibilidade de paralisia institucional decorrente de um Congresso democrata, o analista apontou que o risco é real. Conforme sua avaliação, quanto maior for a pressão legislativa em pautas específicas, mais Trump tenderá a adotar decisões monocráticas, visto que o presidente entende que o papel do Legislativo é apoiar suas iniciativas de qualquer maneira.
