Grandes fabricantes de automóveis com operações nos Estados Unidos intensificaram a pressão sobre o Congresso para impedir definitivamente a entrada de veículos chineses no mercado americano. A iniciativa reúne empresas como Toyota, General Motors, Ford e Volkswagen, que defendem a aprovação de uma legislação ainda em 2026 para restringir a atuação de concorrentes da China.
O movimento é liderado pela Alliance for Automotive Innovation, associação que representa praticamente todas as grandes montadoras instaladas nos Estados Unidos. Em manifestação encaminhada aos parlamentares na segunda-feira (2), a entidade pediu que a proposta seja votada antes do encerramento da atual legislatura, em dezembro.
O setor argumenta que a presença de veículos desenvolvidos por fabricantes chineses pode comprometer a segurança de informações coletadas pelos automóveis e enfraquecer a competitividade das empresas que mantêm fábricas, fornecedores e centros de pesquisa em território americano. "Precisamos proteger o mercado dos Estados Unidos de uma enxurrada de importações chinesas que trazem risco de vigilância e colocam em desvantagem os fabricantes atuais que fizeram investimentos de longo alcance nas comunidades americanas", afirmou John Bozzella, presidente da associação.
Carros conectados e restrições tecnológicas
A discussão envolve veículos modernos que incorporam câmeras, sensores, sistemas de navegação, conexões à internet e softwares capazes de reunir informações sobre deslocamentos, localização e hábitos de utilização. Em janeiro de 2025, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos concluiu uma regulamentação que restringe a utilização de determinados softwares e equipamentos conectados à China e à Rússia em veículos vendidos no país, com restrições a softwares de conectividade e direção automatizada entrando em vigor para veículos do ano-modelo 2027 e restrições sobre equipamentos físicos valendo para o ano-modelo 2030.
O mercado americano já conta com barreiras significativas, incluindo a elevação da tarifa adicional sobre veículos elétricos chineses de 25% para 100% em 2024. O projeto defendido pelas montadoras pretende dar caráter legislativo permanente a essas barreiras, abrangendo a comercialização, a importação e a fabricação de veículos conectados associados à China.
Expansão europeia e debate político
A pressão da indústria também reflete a expansão das marcas chinesas na Europa. Segundo dados da Alliance for Automotive Innovation, a União Europeia recebeu mais de 1,1 milhão de veículos produzidos na China entre janeiro e agosto de 2026, superando o total de todo o ano anterior.
O presidente Donald Trump afirmou em setembro que aceitaria a instalação de fábricas de automóveis chineses nos Estados Unidos, desde que as empresas produzissem localmente, contrapondo-se à proibição abrangente defendida pela associação das montadoras.
No âmbito legislativo, a proposta avançou em julho com aprovação em comissão do Senado, enquanto na Câmara dos Representantes uma versão semelhante reúne mais de 100 coautores dos partidos Republicano e Democrata. A votação foi adiada para novembro para aproveitar o período posterior às eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3).
O governo chinês rejeita as acusações e classificou medidas anteriores como formas injustificadas de repressão econômica, pedindo respeito às regras de mercado.
