O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira, 3, que pretende encerrar até o final deste ano o repasse anual de quase US$ 4 bilhões — o equivalente a mais de R$ 21 bilhões — direcionado a Israel. A declaração foi concedida em entrevista à emissora Fox News durante a realização das eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms.
De acordo com o presidente norte-americano, um entendimento sobre o assunto foi alcançado com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, meses atrás. Segundo o republicano, houve concordância mútua de que os pagamentos a Israel serão interrompidos até o término deste ano. Trump também acusou políticos de esquerda e democratas de utilizarem o suporte financeiro como pretexto para direcionar críticas aos republicanos.
Apesar da suspensão dos repasses financeiros, o chefe do Executivo dos EUA frisou que o país continuará comercializando armamentos com a nação aliada e poderá prestar auxílio caso surjam necessidades. Durante a conversa, Trump fez elogios a Netanyahu e mencionou sua popularidade em território israelense, afirmando em tom de brincadeira que poderia se mudar para Israel e assumir o cargo de premiê caso os americanos se cansem dele.
Antecipação de acordo militar
O prazo estipulado por Trump encurta em quase dois anos o encerramento formal de um pacto de financiamento firmado em 2016, sob a gestão de Barack Obama. O memorando estipulava um total de US$ 38 bilhões em assistência militar a Israel cobrindo o período de 2019 a 2028, com vigência até setembro de 2028. Contudo, o presidente não detalhou o mecanismo que pretende utilizar para interromper os repasses, cuja liberação depende anualmente da aprovação de verbas pelo Congresso dos Estados Unidos.
O modelo vigente compreende uma assistência anual de US$ 3,8 bilhões, sendo US$ 3,3 bilhões voltados ao financiamento militar e US$ 500 milhões destinados a programas colaborativos de defesa antimísseis. Os recursos viabilizam a aquisição de equipamentos norte-americanos por Israel, a exemplo dos caças F-35, movimentando também a indústria de defesa dos Estados Unidos.
Anteriormente, o próprio Benjamin Netanyahu havia manifestado a intenção de diminuir de forma gradual a dependência dos subsídios americanos. Em janeiro, durante entrevista à revista The Economist, o primeiro-ministro apontou o plano de zerar a ajuda ao longo de uma década, prazo consideravelmente superior ao estipulado agora por Trump.
Repercussão política e opinião pública
O respaldo financeiro e militar dos Estados Unidos a Israel registrou queda na aprovação popular desde o deflagrado da guerra na Faixa de Gaza, em 2023. Dados de uma pesquisa conduzida pela Universidade Quinnipiac em junho apontaram que 48% dos eleitores e 66% dos democratas viam o suporte americano ao aliado como excessivo, marcando alta expressiva em relação aos patamares de 16% e 20% registrados quando o questionamento foi aplicado inicialmente em 2017.
Em Israel, a declaração gerou reações e cobranças por parte da oposição. Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas e concorrente ao posto de primeiro-ministro, exigiu esclarecimentos de Netanyahu e criticou o fato de que tanto a sociedade quanto a cúpula de defesa tomaram conhecimento da medida por intermédio da imprensa.
