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Economia

Os desafios econômicos que marcam o governo de Donald Trump nos Estados Unidos

A economia dos Estados Unidos lida com inflação persistente, dívida acima de US$ 40 trilhões e déficit fiscal elevado próximo às eleições de meio de mandato.

Redação•03 de nov. de 2026, 15:30
Os desafios econômicos que marcam o governo de Donald Trump nos Estados Unidos
Imagem: site

Os desafios econômicos que marcam o governo de Donald Trump nos Estados Unidos

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Os Estados Unidos enfrentam um cenário econômico desafiador às vésperas das eleições de meio de mandato, marcadas para esta terça-feira, 3. Quase dois anos após o retorno de Donald Trump à Casa Branca pelo Partido Republicano, o país convive com inflação persistente e uma dívida pública bruta que ultrapassa a marca de US$ 40 trilhões. Enquanto a iniciativa privada e o consumo das famílias mantêm o dinamismo da atividade, a fragilidade fiscal do governo continua gerando preocupações, conforme avalia William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

A pauta legislativa e econômica da gestão tem sido testada pela disputa pelo controle do Congresso, combinando medidas como elevação de tarifas de importação, cortes de impostos e endurecimento na política migratória. O ponto central da política comercial ocorreu em abril de 2025 com o chamado Liberation Day, quando o presidente anunciou uma ampla rodada de tarifas para estimular a produção nacional e obter concessões comerciais.

O déficit comercial seguiu expressivo. No acumulado do ano, o saldo negativo de bens e serviços registrou queda de 19,9% em relação ao mesmo período de 2025, mas em agosto o déficit apenas no comércio de bens chegou a US$ 136,6 bilhões, enquanto o resultado geral, incluindo serviços, ficou negativo em US$ 105,6 bilhões. A participação de parceiros como China e União Europeia apresentou retração significativa, redirecionando fluxos para outros países, especialmente asiáticos.

Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte invalidou tarifas impostas com base em uma lei de poderes econômicos emergenciais, embora medidas amparadas em outras legislações, como as aplicadas ao aço e alumínio, tenham sido preservadas. Além disso, o incentivo ao reshoring e aos investimentos estrangeiros diretos registrou progresso, ainda que abaixo do prometido inicialmente.

Resistência da atividade e mercado de trabalho

Apesar dos temores de recessão associados ao aumento das tarifas, o Produto Interno Bruto (PIB) americano avançou 3,4% em ritmo anualizado no terceiro trimestre, após crescer 2,2% no segundo, com expansão efetiva de 0,8% entre julho e setembro. Os cortes de impostos contribuíram para manter a economia aquecida, enquanto o desenvolvimento da inteligência artificial impulsionou a demanda por chips e equipamentos.

No mercado de trabalho, a criação de vagas desacelerou. Foram abertas 29 mil vagas fora do setor agrícola em setembro, mantendo a taxa de desemprego em 4,2%, patamar que oscila entre 4,1% e 4,3% desde março. A mudança na dinâmica decorre tanto do controle de fronteiras e menor oferta de mão de obra quanto dos potenciais reflexos da inteligência artificial, cujos impactos ainda exigem cautela.

Pressão inflacionária e política monetária

O custo de vida tem pesado sobre o eleitor. O índice de preços ao consumidor (CPI) acumulou alta de 3,7% nos 12 meses até setembro, enquanto o indicador de preços dos gastos com consumo (PCE) avançou 3,6% no mesmo período. A alta foi impulsionada pelas tarifas e por um choque nos preços de energia decorrente do conflito com o Irã, com destaque para a gasolina, que subiu 9,1% em setembro e respondeu por mais da metade da alta mensal do CPI.

Sob a liderança de Kevin Warsh na presidência do Federal Reserve desde maio, o banco central americano elevou os juros em setembro e manteve a taxa entre 3,75% e 4% ao ano na reunião de 28 de outubro, com dois votos divergentes favoráveis a um acréscimo de 0,25 ponto percentual. A independência institucional do Banco Central foi preservada diante das preocupações iniciais com possíveis interferências da Casa Branca.

Contas públicas e déficit em alta

O ano fiscal de 2026, encerrado em setembro, fechou com déficit próximo de US$ 2 trilhões, superando em cerca de US$ 218 bilhões o resultado do exercício anterior. As despesas cresceram com programas de benefícios, defesa e o pagamento de juros da dívida, que consumiram aproximadamente US$ 1 trilhão em termos líquidos. A emissão de novos títulos pelo Tesouro para cobrir o desequilíbrio fiscal segue atrelada aos custos definidos pela política monetária.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/os-problemas-economicos-no-caminho-de-trump/

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