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Especialistas apontam que setor de saneamento precisa se adaptar a eventos climáticos extremos

Debatida em evento nesta quinta-feira (5), a necessidade de adaptação do saneamento brasileiro aos eventos climáticos extremos envolve investimentos e planos de contingência.

Redação•05 de nov. de 2026, 22:30
Especialistas apontam que setor de saneamento precisa se adaptar a eventos climáticos extremos
Imagem: site

Especialistas apontam que setor de saneamento precisa se adaptar a eventos climáticos extremos

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O avanço dos eventos climáticos extremos exige mudanças na forma como o Brasil planeja e investe em saneamento. Além da construção de novas estruturas, o setor precisa ampliar o monitoramento, desenvolver planos de contingência e preparar as cidades para situações que ainda não foram enfrentadas. O tema foi discutido nesta quinta-feira (5), durante o evento CNN Talks – A Economia da Transição.

Para Ana Paula Fioreze, diretora da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), a segurança hídrica é um elemento central das políticas de adaptação climática. Segundo ela, a alternância entre secas e enchentes mais intensas e frequentes exige uma nova abordagem na gestão dos recursos hídricos, baseada na avaliação de riscos e na capacidade de rever estratégias diante de cenários incertos. “A engenharia não vai responder tudo. A infraestrutura vai responder uma parte, mas há um limite”, afirmou.

A diretora defendeu que é necessário combinar obras de infraestrutura com soluções ambientais, governança e monitoramento contínuo. Ela também apontou que o planejamento deve considerar problemas que ainda não existem e garantir que a informação chegue à população para orientar a reação diante de situações extremas.

Visão das concessionárias e do governo

O vice-presidente da Aegea, Renato Medicis, afirmou que as concessionárias de saneamento precisam antecipar investimentos e estruturar planos de contingência para evitar interrupções no fornecimento durante períodos de seca ou enchentes. A preparação, segundo ele, envolve cruzar informações climáticas com dados dos mananciais e desenvolver respostas rápidas, como o uso de reservatórios móveis e caminhões-pipa.

“Os eventos não são mais esporádicos, eles são uma realidade”, declarou o executivo, ressaltando que a adaptação passa pela preservação ambiental, pela modernização das estruturas e por soluções específicas para as características de cada cidade.

O secretário nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, Marcio Leão Coelho, destacou a necessidade de acelerar os investimentos em prevenção e adaptação nas cidades. “Alguma coisa tem que ser feita e tem que ser feita rápido”, afirmou.

O secretário informou que o governo federal investiu mais de R$ 23 bilhões em drenagem e cerca de R$ 4 bilhões em contenção de encostas. Ele também apontou dificuldades na apresentação de projetos e na execução de obras pelas prefeituras, apesar da disponibilidade de recursos, e destacou que o governo trabalha para acelerar processos de contratação e facilitar o acesso dos municípios aos investimentos.

Impactos sociais e prioridades

A presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, destacou que os impactos da falta de saneamento atingem principalmente as populações mais vulneráveis. Segundo ela, o perfil de quem não tem acesso aos serviços no país é formado majoritariamente por pessoas pretas, pardas e indígenas, jovens de até 20 anos, com baixa escolaridade e renda familiar de até R$ 2,4 mil.

Ao falar sobre as prioridades para a próxima década, Pretto defendeu a ampliação do acesso à água tratada, a redução das perdas nos sistemas de distribuição e a criação de estruturas alternativas de abastecimento.

“A grande questão é levar a água tratada para todas as pessoas”, disse, ressaltando também a importância de preservar mananciais e ampliar o tratamento de esgoto para reduzir riscos à saúde durante enchentes e inundações.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/infra/com-eventos-climaticos-extremos-saneamento-ainda-precisa-se-adaptar/

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