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Flávio Bolsonaro deixa o Brasil e retoma histórico de fugas de aliados do clã

A fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos retoma uma série de saídas de aliados e familiares do ex-presidente investigados ou condenados pela Justiça.

Redação•27 de out. de 2026, 22:30
Flávio Bolsonaro deixa o Brasil e retoma histórico de fugas de aliados do clã
Imagem: site

Flávio Bolsonaro deixa o Brasil e retoma histórico de fugas de aliados do clã

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A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil nesta terça-feira (27), após a derrota na eleição presidencial, recoloca em evidência uma série de episódios de familiares e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que deixaram o país depois de reveses nas urnas. O parlamentar viajou para os Estados Unidos na companhia da esposa e das filhas, conforme informações de fontes do governo americano obtidas pela CNN Brasil.

A partida ocorreu logo após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que o senador entregasse seus documentos de viagem. O prazo estipulado encerrou-se às 11h de terça-feira sem o cumprimento da ordem, o que levou a Polícia Federal a cancelar os passaportes de Flávio. Na véspera, segunda-feira (26), o político havia declarado que não tinha a intenção de deixar o território nacional.

Flávio Bolsonaro é alvo de investigações sobre suposta lavagem de dinheiro e evasão de divisas, em inquérito que também inclui o advogado Willer Tomaz. Ao repercutir a decisão judicial, o senador afirmou que entregaria os documentos de viagem e classificou a determinação como uma ação intimidatória.

A trajetória de figuras ligadas ao bolsonarismo que se deslocaram para o exterior engloba diferentes casos desde o ano de 2022, além do precedente de Allan dos Santos, ocorrido em 2020:

  • Carla Zambelli (Itália, 2025): A ex-deputada federal saiu do Brasil após condenação pelo STF a dez anos de reclusão no processo referente à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em junho de 2025, comunicou que estava no exterior sob o argumento de buscar tratamento médico. Ela foi detida na Itália, onde possui cidadania, e aguarda em liberdade o desfecho sobre sua extradição. Em 27 de janeiro, a Corte de Apelação de Roma adiou para 24 de novembro a análise do pedido relacionado à condenação por perseguir um homem com arma em punho em 2022, após a defesa apontar falta de acesso a documentos enviados pelo Brasil.
  • Eduardo Bolsonaro (Estados Unidos, 2025): O ex-deputado federal fixou residência nos Estados Unidos em 2025, solicitando licença de seu mandato em março daquele ano sob alegação de perseguição política, passando a atuar junto ao governo americano em defesa do pai. Em junho de 2026, o STF o condenou a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, por entender que ele tentou interferir no julgamento da tentativa de golpe por meio de pressão sobre autoridades brasileiras — cuja defesa negou a tipificação. A condenação transitou em julgado em outubro, com determinação para início do cumprimento da pena.
  • Alexandre Ramagem (Estados Unidos, 2025): O ex-diretor da Abin "paralela" no governo Bolsonaro deixou o país descumprindo proibição imposta pelo STF. Conforme apuração da Polícia Federal, ele cruzou a fronteira de Roraima com a Guiana e ingressou nos Estados Unidos portando passaporte diplomático. Ramagem foi condenado a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado. Em entrevista à CNN Brasil em julho, declarou aguardar a análise de um pedido de asilo e refutou as acusações. Chegou a ser retido pelo serviço de imigração norte-americano em abril, sendo liberado dois dias depois.
  • Oswaldo Eustáquio (Espanha, desde 2023): O blogueiro passou pelo Paraguai antes de fixar-se na Espanha em 2023. Com mandados de prisão expedidos no Brasil, foi classificado como foragido. A Justiça espanhola negou pedido de extradição, fundamentando a decisão em motivação política na investigação. Recentemente, a Primeira Turma do STF o tornou réu por associação criminosa ligada aos atos de 8 de Janeiro, sob acusação de participação na mobilização contra o resultado eleitoral de 2022, o que abre ação penal sem constituir condenação prévia.
  • Silvinei Vasques (capturado no Paraguai, em 2025): O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi capturado em Assunção em 26 de dezembro de 2025. De acordo com a Polícia Federal, Silvinei rompeu sua tornozeleira eletrônica, deixou Santa Catarina de automóvel e tentou embarcar para El Salvador com passaporte falso. Ele havia sido condenado a 24 anos e seis meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023 e foi entregue às autoridades brasileiras pelas forças paraguaias.
  • Allan dos Santos (saída anterior a 2022): O blogueiro deixou o Brasil em 2020 rumo aos Estados Unidos, antecedendo o recorte temporal da lista. Em 2021, Alexandre de Moraes decretou sua prisão preventiva no âmbito das investigações sobre milícias digitais, com pedidos de extradição pleiteados pelo governo brasileiro sob alegações do investigado de sofrer perseguição. Em processo separado, Moraes acolheu em 2026 pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para arquivar investigação envolvendo Allan, Oswaldo Eustáquio, Marcos do Val e outro influenciador, após o órgão ministerial avaliar como insuficientes as provas para denúncia por obstrução de investigação e incitação ao crime naquele episódio.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/relembre-aliados-e-familiares-de-bolsonaro-que-tambem-fugiram-do-brasil/

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