Depois de conquistar quase 60 milhões de votos em uma campanha presidencial de dez meses, Flávio Bolsonaro viu sua trajetória sofrer reviravoltas nos dias seguintes ao pleito. O candidato rejeitou o resultado nas urnas, anunciou uma ação judicial para anular a eleição perdida para Lula por uma diferença de 4,4 milhões de votos e insinuou fraudes no sistema eleitoral sem apresentar provas. Em um vídeo, autoproclamou-se “líder da oposição”.
Na noite de terça-feira, ele partiu para os Estados Unidos em um jato privado, fixando residência em Miami na quarta-feira (28/10). A viagem ocorre em meio a investigações em curso sobre corrupção e lavagem de dinheiro relativas ao seu mandato de senador pelo Partido Liberal do Rio, que se encerra em janeiro. Entre os inquéritos está a apuração sobre o destino de 61 milhões de reais que ele confessou ter recebido de Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master, preso por fraudes financeiras.
Ao desembarcar, Flávio divulgou uma carta direcionada “ao povo brasileiro e à comunidade internacional”. Inicialmente, o texto utilizava o brasão dos “Estados Unidos do Brazil” e a autoproclamação como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Após alertas sobre erros históricos na nomenclatura e no brasão, o documento passou por pelo menos quatro reedições, com trocas sucessivas entre expressões como “verdadeiro presidente do Brasil”, “líder do Brasil” e novas tentativas de autoproclamação.
As reações ao comportamento do político geraram isolamento e divergências entre aliados. O coordenador de sua campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), refutaram publicamente as insinuações de fraude e reconheceram a vitória de Lula.
