A disputa presidencial entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno marcada por margem apertada, alta rejeição e dilemas econômicos e institucionais para o vencedor que assumirá o cargo em 5 de janeiro de 2027. Pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira 21 apontou que as intenções de voto espontâneas em ambos registraram 40%, enquanto os indecisos passaram de 7% para 14%.
Um dos principais desafios destacados na corrida eleitoral é o desarranjo das contas públicas. Desde o início do terceiro mandato de Lula, a dívida brasileira subiu de 72% para 83% do PIB. Economistas e especialistas apontam a necessidade de um ajuste fiscal urgente para evitar que o governo fique sem recursos para programas sociais e investimentos, embora os candidatos tenham evitado detalhar cortes durante a campanha para não perder votos.
Enquanto Lula lançou pacotes de bondades estimados entre 200 bilhões e mais de 300 bilhões de reais — incluindo promessas como transporte público gratuito nos fins de semana, extensão do programa Pé-de-Meia para universitários, Pix de 5.000 reais para microempreendedores e reajuste de 15% no Bolsa Família —, Flávio Bolsonaro também fez promessas de campanha. O candidato do PL prometeu manter e reajustar o Bolsa Família, ampliar o Farmácia Popular, reduzir prestações do Minha Casa, Financiamento, além de propostas de devolução de parte de gastos com contas via Pix e compra de dívidas de pessoas físicas e jurídicas.
Especialistas como Felipe Salto, economista-chefe e sócio da Warren Investimentos, alertam que as propostas exigirão reestruturações complexas em gastos desordenados, como despesas previdenciárias, pisos da saúde e da educação, abono salarial, supersalários, emendas parlamentares e gastos tributários, que superaram 600 bilhões de reais no ano. Já o ex-presidente Michel Temer ressalta que o país precisará de uma grande conversação nacional e postura equilibrada para superar a polarização afetiva entre os grupos políticos.
