Na reta final da campanha presidencial, as propostas econômicas apresentadas até o momento não trazem garantias concretas de ajuste fiscal, conforme avaliação do sócio e economista-chefe da G5 Partners, Luis Otavio Leal. Durante entrevista ao Capital Insights — parceria entre a Broadcast e o CNN Money —, o especialista apontou a falta de um plano detalhado para responder ao aumento do desequilíbrio nas contas públicas projetado para o início de 2027.
Segundo Leal, o rombo nas contas é maior do que antes, gerando dúvidas sobre como qualquer um dos candidatos lidará com a situação em 2027. O economista destacou que o presidente Lula (PT), candidato à reeleição, elevou despesas que pressionam o Orçamento do próximo ano, enquanto promessas do adversário, Flávio Bolsonaro, como o corte de R$ 200 bilhões em gastos, foram recebidas com desconfiança.
Para a G5 Partners, o debate macroeconômico tem no fiscal o seu ponto central. As expectativas de inflação futura carregam um prêmio de risco fiscal, o que significa que parte das projeções para os preços decorre da desconfiança com as contas públicas, e não de demanda aquecida. O economista afirma que, sem esse risco, a inflação tenderia a convergir para a meta, reforçando que há confiança na política monetária, mas não na fiscal.
Desafios econômicos e crédito
O cenário para a economia brasileira também impõe desafios ao próximo presidente. De acordo com Leal, o PIB do terceiro trimestre deve apresentar resultado negativo, sem descartar um desempenho desfavorável no quarto trimestre, em um ambiente de crédito seletivo, endividamento elevado e incertezas fiscais que restringem o consumo e os investimentos.
No campo político, a campanha do presidente Lula não conseguiu transformar a inflação mais controlada em tração eleitoral porque a melhora dos índices não gerou alívio na percepção financeira das famílias. O endividamento permanece como principal limitador, visto que a renda não acompanhou o avanço das dívidas.
Cenário internacional e juros
No ambiente externo, o economista aponta inflação resiliente e juros em alta, fatores que diminuem a disposição global por risco e elevam a competição por capital com os títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Esse movimento pressiona mercados emergentes como o Brasil.
Nos Estados Unidos, Leal projeta turbulência política, avaliando que Donald Trump tenderia a judicializar o processo eleitoral e enfrentaria forte oposição mesmo em caso de vitória. Além disso, o Federal Reserve ainda pode elevar os juros em dezembro, apertando as condições financeiras globais e aumentando a pressão sobre o câmbio e as expectativas no Brasil.
