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Investigações em São Paulo apontam estratégia para sufocar o crime organizado

Investigações em São Paulo revelam dados e estratégias de asfixia financeira contra a lavagem de dinheiro e o crime organizado.

Redação•06 de nov. de 2026, 06:30
Investigações em São Paulo apontam estratégia para sufocar o crime organizado
Imagem: site

Investigações em São Paulo apontam estratégia para sufocar o crime organizado

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Ações de inteligência e investigações conduzidas em São Paulo vêm apontando caminhos para asfixiar a máquina financeira do crime organizado. Nos últimos três anos, o estado registrou mais de 400 operações e 4.200 mandados de busca e apreensão. As medidas permitiram a recuperação de 4 bilhões de reais em condenações judiciais e o bloqueio de 45 bilhões de reais em ações e títulos de crédito somente em 2025.

As investigações demonstram que as organizações criminosas utilizam bens de luxo para movimentar e limpar capitais obtidos por meio de atividades ilícitas. Entre os itens confiscados por autoridades estão carros esportivos de marcas como Porsche, Ferrari, BMW, Mercedes e Lamborghini, além de relógios Rolex, joias, roupas de grife, imóveis e até um iate de 23 metros e um helicóptero modelo Robinson R66, avaliado em 10 milhões de reais. Um dos casos destacados ocorreu em maio, quando veículos avaliados em ao menos 5 milhões de reais foram apreendidos em frente ao Palácio da Polícia Civil, em uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e da Polícia Civil de São Paulo que liga a advogada e influencer Deolane Bezerra ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em um esquema de lavagem de dinheiro superior a 300 milhões de reais.

Especialistas explicam que o processo de lavagem de dinheiro ocorre em três etapas principais: colocação, ocultação e incorporação. O promotor de Justiça Marcelo Blatouni Mendroni aponta que a primeira fase, correspondente à inserção inicial do dinheiro sujo no sistema econômico por meio de depósitos e compras, é o momento mais oportuno para identificar fraudes. As fases seguintes envolvem a ocultação, com transferências bancárias e uso de empresas de fachada, e a incorporação, marcada pela aquisição de bens de luxo que dificultam o trabalho investigativo.

Para enfrentar a sofisticação das quadrilhas, que atuam desde o tráfico de drogas até o setor de combustíveis e a operação de bancos próprios, autoridades destacam a importância da atuação colaborativa. O procurador-geral de Justiça Paulo Sergio de Oliveira e Costa ressalta que a estratégia adotada baseia-se na asfixia financeira e na integração de diferentes órgãos. Exemplo dessa articulação foi a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, que envolveu cerca de 1.400 agentes do Gaeco, Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público Federal, Polícias Civil e Militar, Procuradoria-Geral do Estado, governo paulista e Agência Nacional do Petróleo (ANP) para combater o uso de fintechs e fundos de investimento na lavagem de dinheiro.

O avanço no combate ao crime também é atribuído ao endurecimento legislativo e à aprovação de normas como a Lei Antifacção (15.358/2026), relatada na Câmara por Guilherme Derrite. No âmbito federal, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, aprovada pelo Congresso em uma terça-feira 3, busca constitucionalizar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) para aprimorar o compartilhamento de informações e a formação de forças-tarefa. O promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco-SP, avalia que a PEC e a criação do ministério correspondente serão fundamentais para enfrentar organizações como o PCC e o Comando Vermelho, embora ressalte que ainda há desafios a superar na integração entre a União e os estados.

Fonte: https://veja.abril.com.br/brasil/investigacoes-em-sao-paulo-indicam-caminho-para-asfixiar-o-crime-organizado/

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