A juíza federal americana Tanya Chutkan determinou, na noite de quinta-feira 5, a suspensão temporária da construção do chamado "Arco do Triunfo" planejado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a capital, Washington, D.C. A medida cautelar, válida por 14 dias, foi emitida em menos de uma hora após a aprovação final do projeto.
A autorização definitiva havia sido concedida pela Comissão de Planejamento da Capital Nacional — um dos dois órgãos federais que supervisionam alterações arquitetônicas e que possui maioria de aliados do presidente. A decisão ocorreu após uma longa audiência pública de oito horas, na qual mais de 120 cidadãos manifestaram oposição e preocupações com a obra.
Logo após o aval do colegiado, Chutkan, nomeada durante o governo Obama e responsável por um processo judicial que tenta impedir a obra, proibiu o governo de iniciar ou efetivar qualquer atividade de construção nas proximidades do local proposto. Em um memorando posterior, a magistrada apontou fundamentos para a decisão, incluindo potenciais impactos econômicos e transtornos no trânsito local.
Oposição e protestos
O projeto do monumento, concebido para atingir 76 metros de altura e ser o maior arco do mundo, gerou forte resistência. Opositores argumentam que a estrutura comprometerá a paisagem de marcos nacionais e afirmam que a construção exige o crivo do Congresso, que controla o orçamento da união. Analistas avaliam que a Casa Branca tenta acelerar o "Arc de Trump" antes que o novo Congresso, sob controle democrata após as eleições de meio de mandato de terça-feira 3, assuma o poder em janeiro.
A iminência da aprovação levou a protestos em Washington na quinta-feira. "Essa aberração monumental, fruto do ego de um único homem, desrespeita todos os militares ali sepultados", declarou o deputado democrata Don Beyer em uma manifestação.
Impactos históricos e projetos pessoais
O monumento integra uma série de iniciativas de remodelação da capital lideradas pelo presidente em seu segundo mandato, criticadas por opositores como "projetos de vaidade". Questionado em outubro por um repórter sobre a quem o arco seria dedicado, Trump respondeu apontando para si mesmo: "A mim". Na quarta-feira 4, após uma derrota republicana nas midterms, o presidente apareceu publicamente em outra obra, o salão de baile da Casa Branca, cuja Ala Leste foi demolida para a nova estrutura.
Uma análise do Serviço Nacional de Parques (NPS), divulgada em agosto, apontou que o arco causará efeitos adversos em 42 locais históricos, com impactos mais graves em seis pontos próximos, incluindo:
- Cemitério Nacional de Arlington
- Corredor do Memorial Lincoln
- Arlington House
O relatório do NPS também destacou que a construção comprometeria a continuidade do desenho de cenários icônicos e a visibilidade de monumentos vizinhos na capital norte-americana.
