A renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, após um escândalo bancário, foi tema de discussão no programa O Grande Debate na quinta-feira (5). O programa debateu se a mudança no cenário político paraguaio afeta diretamente os interesses do Brasil.
Celso Amorim, assessor especial da Presidência do Brasil para assuntos internacionais, manifestou expectativa de que o episódio propicie uma aproximação maior do Paraguai com o Brasil e com o Mercosul. Amorim também expressou o desejo de que o país vizinho se afaste do grupo denominado “Escudo das Américas”, iniciativa criada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sob o argumento de combater o narcotráfico e o crime organizado. Além disso, o assessor ressaltou a importância estratégica bilateral, destacando a usina hidrelétrica de Itaipu.
Debate sobre os impactos políticos
O comentarista José Eduardo Cardozo avaliou o cenário como um revés para a direita, apontando que o Paraguai havia se tornado um “satélite de Donald Trump” e se distanciado do Mercosul ao aderir ao “Escudo das Américas”. Cardozo recordou que o país vizinho era visto por setores da direita brasileira como a “Suíça da América Latina” e que muitos brasileiros aplicaram recursos na instituição financeira que colapsou sob circunstâncias suspeitas, devido à ligação do ex-presidente com o banco.
“O resultado é ruim e não deve ser comemorado, mas deve ser constatado como um ponto de reflexão”, declarou Cardozo, reforçando que o episódio evidencia a necessidade de fortalecer o Mercosul.
Visão econômica e cautela
O empresário Leonardo Bortolleto concordou parcialmente, reconhecendo que a renúncia afeta o campo político da direita, mas ponderou que a saída do cargo não comprova culpabilidade por si só, exigindo investigações sobre os desdobramentos. No aspecto econômico, Bortolleto alertou que a crise atinge instituições financeiras digitais e pode prejudicar companhias brasileiras instaladas no território paraguaio.
“O Paraguai foi abrigo de uma debandada empresarial brasileira nos últimos anos”, afirmou Bortolleto, pontuando que várias dessas empresas dependem do mercado brasileiro e podem sofrer impactos com a instabilidade local. O empresário também ponderou ser precipitado afirmar o rumo político que o país tomará e defendeu que o governo brasileiro volte suas atenções para problemas internos, como inflação, inadimplência e a taxa Selic elevada.
Divergências na política externa
Cardozo discordou da sugestão de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diminua o foco nas relações internacionais. Segundo o comentarista, a atuação global é indispensável para evitar que o Brasil fique em uma posição de dependência. Bortolleto, contudo, reiterou que a prioridade recai sobre o âmbito doméstico, argumentando que a matemática econômica independe de espectros ideológicos e que os desafios fiscais e financeiros do país exigem foco imediato.
Apesar das divergências, ambos os debatedores concordaram que os acontecimentos no Paraguai exigem acompanhamento atento e cauteloso.
