As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) registraram queda nesta quarta-feira (4), em um movimento impulsionado pelo alívio nos mercados globais de renda fixa. O cenário externo foi influenciado pela vitória dos democratas nas eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, enquanto investidores locais se mantinham atentos à decisão de juros do Banco Central.
No encerramento da tarde, a taxa do DI com vencimento em janeiro de 2028 ficou em 14,42%, abaixo do ajuste de 14,629% registrado na véspera. Já o contrato para janeiro de 2035 fechou a 15,03%, comparado a 15,485% na sessão anterior.
Na terça-feira, os democratas conquistaram o controle do Senado e da Câmara dos Deputados dos EUA, com vitórias expressivas em redutos republicanos. O resultado representou uma crítica ao presidente Donald Trump. Com a nova configuração, o presidente americano precisará negociar com um Congresso democrata, o que gerou expectativas de menor volatilidade e maior previsibilidade global, provocando recuo nos rendimentos dos Treasuries.
Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, a perspectiva de um governo dividido no Congresso americano foi vista com otimismo pelos agentes financeiros, pois diminui a probabilidade de alterações econômicas abruptas.
Por volta das 16h47, o rendimento do Treasury de dez anos — principal referência para investimentos no exterior — registrava queda de 6 pontos-base, cotado a 4,892%.
No cenário interno, o mercado aguardava a divulgação da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ao final do dia. Uma pesquisa da Reuters indicou a expectativa de que o Copom mantenha a taxa básica de juros Selic, interrompendo o ciclo de cortes para analisar o panorama econômico após o pleito presidencial.
Em relatório, a XP apontou que o aumento nas expectativas de inflação, especialmente para prazos mais longos como 2029, demanda uma reação da política monetária para conter desgastes futuros. A instituição financeira prevê que o comunicado da reunião adote um tom mais rígido (hawkish), mantendo em aberto os próximos passos do Copom, e projeta que a Selic permaneça em 13,75% até o encerramento de 2027.
Ainda segundo a XP, o cenário permanece incerto, abrindo espaço para que o Copom retome os cortes caso os ativos brasileiros se estabilizem e a inflação melhore, ou até mesmo eleve a taxa básica caso os fundamentos econômicos exijam tal medida.
