NewsHub
Economia

Mercados dos EUA mostram sinais de nervosismo e preocupação com a inteligência artificial

Apreensão com custos e financiamento da inteligência artificial gera volatilidade atípica e queda nos rendimentos de títulos nos mercados dos EUA.

Redação•27 de out. de 2026, 05:30
Mercados dos EUA mostram sinais de nervosismo e preocupação com a inteligência artificial
Imagem: site

Mercados dos EUA mostram sinais de nervosismo e preocupação com a inteligência artificial

Ouça esta matéria em voz alta

Apesar da aparente estabilidade na superfície dos mercados norte-americanos, com ações próximas a recordes históricos e títulos estáveis, sinais sob o capô indicam que investidores estão cada vez mais apreensivos, especialmente devido à inteligência artificial (IA). A preocupação recente aponta que a IA pode se transformar em um atoleiro financeiro capaz de ameaçar o boom econômico dos Estados Unidos caso a bolha comece a esvaziar.

Em 22 de outubro, o mercado acionário registrou um comportamento atípico que havia ocorrido apenas duas vezes nas últimas três décadas, conforme apontou James Reilly, economista sênior de mercados da Capital Economics. Enquanto o índice de referência S&P 500, ponderado pelo valor de mercado, caiu 1,2%, a versão do índice com ponderação igualitária das ações subiu 0,5%. Essa divergência massiva só havia sido registrada anteriormente em 14 de abril de 1999 e em 30 de março de 2000.

No mesmo dia, o rendimento dos Treasuries de 10 anos sofreu uma freada brusca e entrou em reversão, caindo abaixo de 5% e registrando a maior queda diária desde 10 de março de 2003, data da implosão do Silicon Valley Bank. Investidores direcionaram recursos de tecnologia para títulos e ações não tecnológicas em ritmo histórico.

Fatores de pressão nos títulos e balanços da IA

Historicamente, os títulos vinham operando em baixa com rendimentos em máximas devido a três fatores centrais: a dívida crescente dos Estados Unidos, a guerra no Irã e a própria IA. O conflito no Irã impulsionou a inflação ao cortar o fornecimento mundial de petróleo e combustível, elevando os preços e fazendo com que investidores em títulos exigissem maiores rendimentos. Paralelamente, a dívida americana alcançou US$ 40 trilhões e o déficit orçamentário saltou para US$ 2 trilhões no último ano fiscal, exigindo emissões contínuas de novos títulos pelo Tesouro.

No setor de inteligência artificial, a infraestrutura exigida consome cerca de US$ 1 trilhão por ano com demanda em alta. Companhias tecnológicas têm captado somas expressivas por meio de dívidas, competindo diretamente com a demanda de outras obrigações, como os Treasuries. Com os preços do petróleo nas máximas de quatro anos e a sinalização do presidente Donald Trump de que a guerra no Irã pode ganhar novo impulso após as eleições de meio de mandato, o cenário geopolítico e fiscal permanece desafiador.

Sinais de alerta financeira

As incertezas sobre a sustentabilidade financeira da IA ganharam força com casos recentes. Os custos de empréstimo da CoreWeave, empresa neocloud que aluga poder computacional para IA e opera baseada em dívida, dispararam para 15% no início do mês, superando sua taxa de retorno e gerando temores sobre sua capacidade de honrar débitos. Além disso, relatórios indicam que a Anthropic registrou um prejuízo de quase US$ 81 bilhões no primeiro semestre de 2026, enquanto a Meta informou um consumo de caixa superior à sua produção em US$ 2 bilhões no terceiro trimestre, provocando queda de 7% em suas ações.

A volatilidade em torno de modelos de financiamento circular do setor levou operadores a reavaliar os níveis de endividamento da IA. "O que estamos vendo é uma volatilidade elevada em torno de algo que parece, se sente e cheira como uma bolha", afirmou Joe Brusuelas, economista-chefe da RSM US.

Enquanto a Nasdaq acumula queda de 6% em duas semanas, analistas ponderam se o esfriamento atual representa o início de uma tendência duradoura ou apenas mais um obstáculo. Para Reilly, mesmo um eventual estouro da bolha não significaria necessariamente um colapso geral da economia, que nos últimos anos tem operado em uma dinâmica de recessão rotativa com setores alternando entre expansão e contração.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/mercado/como-a-ia-pode-abalar-a-aparente-tranquilidade-nos-mercados-dos-eua/

Compartilhar