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Economia

Choque eleitoral no mercado financeiro deve se acomodar, mas investidores cobram compromisso fiscal

Reação do mercado após vitória de Lula no segundo turno provoca disparada do dólar e paralisação na Bolsa, enquanto analistas cobram clareza fiscal.

Redação•27 de out. de 2026, 04:30
Choque eleitoral no mercado financeiro deve se acomodar, mas investidores cobram compromisso fiscal
Imagem: site

Choque eleitoral no mercado financeiro deve se acomodar, mas investidores cobram compromisso fiscal

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O resultado do segundo turno das eleições, que definiu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), surpreendeu o mercado financeiro e provocou fortes reações nos ativos nesta segunda-feira (26). O dólar registrou a maior alta diária em 23 anos, os juros futuros subiram quase dois pontos e a Bolsa de Valores precisou paralisar suas operações na abertura, marcando o pior pregão desde a pandemia.

De forma contraintuiva, o VIX Brasil — conhecido como o "termômetro do medo" do mercado nacional — registrou queda. O indicador chegou a recuar 40% durante o dia, fechando com perda de 38,59%. A reeleição de Lula para um quarto mandato frustrou as expectativas de investidores e fundos institucionais que estavam posicionados com otimismo em torno da tese de Flávio Bolsonaro, cenário que motivou a liquidação forçada de posições e o desmonte rápido de carteiras.

Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, a vitória do petista não estava totalmente precificada pela maior parte dos agentes financeiros, já que o Ibovespa havia registrado expressiva alta nas semanas anteriores ao segundo turno, impulsionado pela expectativa de vitória de Bolsonaro. Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, lembra que o otimismo pós-primeiro turno durou cerca de 15 dias e aponta que o pessimismo ainda deve persistir temporariamente.

Especialistas avaliam que o choque inicial tende a perder força com a absorção do resultado eleitoral. Com o fim das eleições e a confirmação do próximo presidente, a volatilidade diminuiu, embora a incerteza continue e o mercado passe a buscar sinais sobre a postura do governo. Enquanto a gestão de Bolsonaro gerava expectativas de uma política fiscal mais rígida, com Lula a projeção é de continuidade de uma economia pautada no impulso com gastos públicos.

A economista Olivia Carneiro, mestre pela Universidade de Chicago, destaca que o período de transição ainda deve contar com resquícios de especulação eleitoral e cálculos sobre a governabilidade de Lula 4 diante de um Congresso mais à direita. Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, aponta para potenciais impactos inflacionários de propostas como o fim da escala 6x1 e os efeitos do fenômeno El Niño sobre o preço dos alimentos.

No cenário internacional, Carneiro aponta incertezas contínuas envolvendo preços de energia, a guerra no Irã e crises de dívida, inflação e juros altos globalmente. Mesmo com o ambiente externo desfavorável e a queda de 13,88% na ressaca pós-eleição, o Ibovespa acumula alta de 10,32% no ano e mais de 60% desde 2023.

Apesar disso, analistas apontam que a confiança dos investidores dependerá dos próximos passos do governo. Para Alex Agostini, a construção de credibilidade fiscal exigirá a indicação de um nome forte, técnico, pró-mercado e vindo de fora do Partido dos Trabalhadores para o comando do Ministério da Fazenda, além de articulação com o centrão para aprovação de medidas.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/mercado/choque-eleitoral-deve-se-acomodar-mas-mercado-cobra-compromisso-fiscal/

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