Em entrevista ao programa WW, o editor-chefe da revista Americas Quarterly, Brian Winter, analisou os futuros desdobramentos diplomáticos entre o Brasil e os Estados Unidos após a vitória eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Conforme o jornalista, a gestão do presidente americano, Donald Trump, almejava um desfecho distinto no pleito brasileiro.
Previsão de laços complexos entre Washington e Brasília
De acordo com Winter, o governo dos Estados Unidos demonstrava clara preferência por um aliado ideologicamente mais alinhado. “Eles queriam a eleição do Flávio Bolsonaro”, pontuou o especialista, ressaltando que a intenção da Casa Branca ia além da afinidade política. Segundo ele, Washington enxerga valor em estratégias direcionadas ao enfrentamento do crime organizado — que tem se expandido na América do Sul e Latina na última década —, citando programas como o "Escudo das Américas".
Apesar da preferência pelo candidato que acabou derrotado, Winter pontuou que Donald Trump demonstra respeito por Lula de maneira semelhante ao tratamento dispensado a dirigentes de nações de relevância global. Contudo, o analista ponderou que marcas deixadas pelo cenário político nos últimos 13 anos têm potencial para atrapalhar uma reapximação autêntica entre ambas as administrações.
Dificuldades na agenda bilateral e alternativas brasileiras
O jornalista externou ceticismo quanto à velocidade com que a gestão petista conseguirá pacificar o diálogo diplomático com os norte-americanos. Em sua avaliação, o governo do Brasil não estaria plenamente inclinado a promover uma reconciliação rápida e a negociar pautas delicadas, a exemplo da exploração de terras raras.
“Acho que vai ter que costurar alguma coisa ou talvez essa coisa vai ficar um pouco tensa”, declarou Winter, projetando que Brasília poderá procurar parcerias mais estreitas com países da Europa, da Ásia e possivelmente com o Canadá. “Acho que o caminho aqui para uma reconciliação entre Washington e Brasília vai ser difícil mesmo”, concluiu o editor.
