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Preços altos nos EUA: Impactos reais em Washington e nos mercados financeiros

A inflação persistente nos EUA gera desafios políticos para Donald Trump, impacta o mercado de títulos e mantém as taxas de juros em patamares elevados.

Redação•04 de set. de 2026, 14:32
Preços altos nos EUA: Impactos reais em Washington e nos mercados financeiros
Imagem: site

Preços altos nos EUA: Impactos reais em Washington e nos mercados financeiros

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Os preços elevados tornaram os americanos contrários à atual situação econômica, gerando consequências reais para Washington e para os mercados financeiros. A inflação histórica foi um fator decisivo para que os eleitores retirassem os democratas da Casa Branca nas eleições de 2024. Atualmente, os preços persistentemente altos e o retorno da inflação têm resultado em baixos índices de aprovação para o presidente Donald Trump, o que ameaça a composição do Congresso democrata nas eleições de meio de mandato em novembro.

Apesar da expectativa de que políticos americanos fizessem o possível para controlar os preços, a tendência observada é a oposta. Tanto a esquerda quanto a direita parecem unidas em uma economia populista, com políticas que alimentam a inflação, como gastos massivos e tarifas, hábitos difíceis de abandonar. Por outro lado, medidas de controle, como redução de gastos e aumento de impostos, são impopulares e podem prejudicar a economia brevemente. Esse cenário resultou em turbulência no mercado de títulos, com os rendimentos dos Treasuries disparando, refletindo a exigência de investidores por maiores retornos diante do risco de desvalorização pelo aumento dos preços. Taxas elevadas nos títulos impulsionam juros de empréstimos e hipotecas, sinalizando uma era de inflação e juros altos, a menos que Washington tome medidas sérias.

As consequências políticas

A economia americana de US$ 31 trilhões, embora diversificada, é influenciada pela política fiscal. No momento, a Casa Branca e o Congresso aceleram a economia; o "One Big Beautiful Bill Act" do ano passado reduziu impostos e elevou gastos, enquanto a guerra no Irã custou bilhões. Entre os efeitos mistos, o desemprego segue baixo, o mercado de ações atinge recordes e o consumo dos mais ricos cresce, com o setor de tecnologia investindo US$ 1 trilhão em infraestrutura de inteligência artificial. Contudo, preços de petróleo, tarifas e a IA impulsionaram a inflação, que permanece acima da meta de 2% do Fed. O economista Joe Brusuelas aponta que uma política fiscal expansionista com pleno emprego é inadequada. Embora estímulos em 2020 e 2021 tenham reduzido o desemprego pós-pandemia, eles geraram a maior inflação em 40 anos.

A disposição para agir

A relutância em cortar gastos ou elevar impostos cresceu com o populismo. O último orçamento equilibrado ocorreu em 1998, sob Bill Clinton, revertendo-se em 2001. Recentemente, o Partido Republicano, sob Trump, abandonou o interesse em cortes orçamentários. Embora Trump tenha prometido quitar a dívida nacional em 2016, ele continuou acumulando débitos. O Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), liderado por Elon Musk, economizou apenas uma fração da meta de US$ 1 trilhão. Além disso, republicanos aprovaram projetos de imigração e impostos que devem adicionar US$ 4,7 trilhões à dívida em uma década, além de proporem um aumento de 40% nos gastos com defesa, chegando a US$ 1,5 trilhão. Mesmo com a dívida ultrapassando US$ 40 trilhões, o partido da responsabilidade fiscal mantém-se em silêncio.

Para onde estamos indo

O presidente do Fed, Kevin Warsh, declarou guerra à inflação e sinaliza o aumento das taxas de juros, o que pode elevar custos de crédito e desacelerar a economia. No entanto, o Fed não pode agir sozinho; a política fiscal precisa estar alinhada. O ex-presidente do Fed, Jerome Powell, já havia demonstrado descontentamento com tarifas e gastos excessivos. Embora a economia e o setor financeiro estejam atualmente saudáveis e os investidores ainda busquem o dólar, Brusuelas alerta que a continuidade de uma política fiscal expansionista pode levar a uma crise bancária e cambial. O economista conclui que, eventualmente, será necessário adotar o "remédio amargo" de aumentar os impostos para resolver a situação.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/precos-altos-geram-consequencias-reais-para-washington-e-mercados/

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