A primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada após a reeleição do presidente Lula aponta para uma frustração nas expectativas do governo federal. Embora haja forte pressão pela redução da taxa de juros, a expectativa é de que o Banco Central mantenha a Selic em 13,75% ao ano na quarta-feira, 4, interrompendo o ciclo de cinco cortes consecutivos que havia sido iniciado em março.
A alteração nas projeções econômicas ganhou intensidade após o término das eleições. No período anterior ao segundo turno, operadores do mercado financeiro estimavam uma probabilidade superior a 70% de que ocorresse uma nova diminuição nos juros. Com o novo cenário, os contratos negociados na B3 apontam uma probabilidade próxima de 69% para a estabilidade da taxa.
O desfecho do pleito eleitoral, a forte alta do dólar e as incertezas relativas à política fiscal do próximo mandato foram determinantes para modificar o ambiente de atuação do Banco Central. Diante da piora nas projeções inflacionárias e da elevação dos riscos na economia, grandes instituições financeiras, a exemplo de Itaú, BTG Pactual e HSBC, alteraram suas projeções e passaram a projetar a paralisação do ciclo de flexibilização monetária.
Esse cenário de manutenção da taxa ocorre no momento em que aliados do presidente Lula intensificam as manifestações contrárias aos patamares elevados dos juros. Na avaliação da gestão governamental, os impactos são duplos: o encarecimento do crédito prejudica a retomada da atividade econômica e a Selic alta amplia os gastos associados à dívida pública. Em contrapartida, o Copom prioriza o combate à inflação como meta imediata, em um contexto em que o resultado eleitoral ainda não contribuiu para otimizar as perspectivas econômicas.
Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/primeiro-copom-apos-a-eleicao-deve-frustrar-o-governo-lula/
