A definição do estádio que abrigará a final da Copa do Mundo de 2030 pode gerar uma crise na organização do torneio. De acordo com Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular (PP) e candidato à presidência do governo espanhol, a Espanha ameaça deixar o projeto de sediar a competição em conjunto com Portugal e Marrocos caso não receba a partida decisiva.
Em entrevista concedida ao programa de televisão El Chiringuito na noite de quinta-feira (5), Feijóo respondeu de maneira afirmativa ao ser questionado se defenderia a retirada do país caso Marrocos fosse escolhido como sede da final. O candidato argumentou que a decisão precisa ocorrer em solo espanhol. “A final do campeonato deve ser onde é o justo, onde é o oportuno, onde é indiscutível: na Espanha”, declarou.
Na sexta-feira (6), Feijóo reforçou a posição por meio de uma publicação nas redes sociais. Na mensagem divulgada na plataforma X, ele afirmou que o país não deve aceitar uma posição de inferioridade. “Recuperar o orgulho do nosso país passa também por não se deixar pisotear por ninguém… A primeira potência internacional no futebol não é humilhada”, escreveu.
Disputa entre Santiago Bernabéu e projeto marroquino
A corrida pela final do Mundial de 2030 concentra-se nas propostas apresentadas por espanhóis e marroquinos, enquanto Portugal também integra a candidatura conjunta. A Espanha aposta no estádio Santiago Bernabéu, casa do Real Madrid, localizado em Madri e que passou por um processo de ampla modernização.
Por outro lado, Marrocos apresenta um projeto considerado mais ambicioso: a construção de uma arena com capacidade para cerca de 115 mil pessoas em Benslimane, na região de Casablanca. Fouzi Lekjaa, presidente da Federação Real Marroquina de Futebol, declarou em setembro que a final acontecerá em território marroquino, independentemente de objeções de outros envolvidos. Em contrapartida, a Fifa informou na mesma época que ainda não havia tomado uma decisão definitiva sobre o local do confronto.
Tensões políticas e histórico do torneio
A manifestação de Feijóo acontece em um cenário de tensão diplomática entre Espanha e Marrocos. No final de julho, uma crise migratória eclodiu após a entrada de dezenas de milhares de migrantes no enclave espanhol de Ceuta, situado no norte da África, partindo do território marroquino. O candidato do Partido Popular culpou o governo marroquino pelo episódio e prometeu uma postura mais rígida nas relações bilaterais se assumir o comando do Executivo espanhol.
A Copa do Mundo de 2030 celebrará o centenário do torneio, cuja primeira edição ocorreu em 1930 no Uruguai. Além de Espanha, Portugal e Marrocos, o evento contará com partidas comemorativas sediadas na Argentina, no Paraguai e no Uruguai.
