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Proposta de André Lara Resende sobre juros gera temor na Faria Lima

Proposta de André Lara Resende para reduzir juros gera preocupações no mercado financeiro e reações políticas.

Redação•02 de nov. de 2026, 14:30
Proposta de André Lara Resende sobre juros gera temor na Faria Lima
Imagem: site

Proposta de André Lara Resende sobre juros gera temor na Faria Lima

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O mercado financeiro e gestores na Faria Lima demonstraram preocupação com uma possível guinada econômica semelhante à da Turquia. O receio surgiu após a repercussão de uma proposta apresentada pelo economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, para reduzir drasticamente os juros brasileiros e reformular a relação entre as políticas fiscal e monetária.

A apreensão aumentou depois que Gleisi Hoffmann, ex-ministra das Relações Institucionais e uma das principais lideranças do PT, elogiou publicamente as ideias do economista. No domingo, dia 1º, Gleisi classificou o artigo como fundamental para enfrentar o que chamou de “ofensiva terrorista” sobre a política fiscal brasileira. Investidores interpretaram a manifestação como um sinal de respaldo em setores influentes do partido, em meio a incertezas sobre a futura equipe econômica de um quarto mandato de Lula.

A proposta de Lara Resende, publicada em setembro, baseia-se na tese de que os juros elevados são a principal causa do desequilíbrio fiscal do Brasil, e não os gastos primários do governo. O plano sugere a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional para coordenar metas fiscais e monetárias, além de prever a redução gradual da Selic — atualmente em 13,75% ao ano — para aproximadamente 7,5% em doze meses. Posteriormente, a taxa oscilaria entre 3% e 5,5% ao ano. Para conter a disparada do dólar, o Banco Central poderia usar reservas internacionais superiores a 350 bilhões de dólares. Segundo os cálculos do economista, a medida traria uma economia fiscal gradual equivalente a cerca de quatro pontos percentuais do PIB ao ano.

Nas redes sociais e entre participantes do mercado, o plano passou a ser comparado à experiência econômica conduzida pelo presidente turco Recep Tayyip Erdogan. A partir de setembro de 2021, sob pressão de Erdogan, o Banco Central da Turquia reduziu sucessivos cortes de juros com a inflação alta, fazendo a taxa básica cair de 19% para 14% em poucos meses. Na ocasião, a lira perdeu cerca de metade de seu valor frente ao dólar, e a inflação atingiu 85% em outubro de 2022, conforme dados do Fundo Monetário Internacional. Críticos da proposta no Brasil argumentam que reduzir a Selic sem recuperar a confiança nas contas públicas pode provocar fuga de capitais, desvalorização do real e nova aceleração inflacionária.

Apesar das comparações, analistas apontam diferenças entre os cenários. O Brasil conta com uma autoridade monetária de autonomia formal, diferentemente da Turquia de Erdogan, onde presidentes do Banco Central foram demitidos por divergências sobre juros. O plano de Lara Resende também propõe uma transição de doze meses e um novo arranjo institucional, e o próprio autor reconhece pressões inflacionárias no curto prazo, defendendo que a estrutura da dívida e as reservas cambiais permitiriam administrar os efeitos.

Representantes do governo tentaram afastar a hipótese de mudanças drásticas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o tabelamento dos juros não está em discussão e negou reunião agendada entre Lula e Lara Resende. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e o presidente do PT, Edinho Silva, também descartaram que a proposta esteja sendo analisada pela gestão, ressaltando que apenas Durigan fala oficialmente sobre política econômica. As negativas, contudo, não eliminaram as dúvidas do mercado durante a semana de decisão do Copom.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/o-temor-de-uma-guinada-a-turquia-que-tomou-conta-da-faria-lima/

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