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Economia

Renúncia de Peña e crise no Paraguai geram alerta no agronegócio

A renúncia do presidente Santiago Peña e uma crise bancária no Paraguai geram atenção no agronegócio sobre os impactos no crédito e no câmbio.

Redação•05 de nov. de 2026, 20:30
Renúncia de Peña e crise no Paraguai geram alerta no agronegócio
Imagem: site

Renúncia de Peña e crise no Paraguai geram alerta no agronegócio

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A renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, em meio a um processo de impeachment e a uma crise no sistema financeiro, colocou o agronegócio e investidores estrangeiros em período de atenção voltado ao crédito e ao câmbio. Lideranças do setor relatam que, neste primeiro momento, não há identificação de impactos diretos sobre a produção agrícola, operações de empresas ou contratos vigentes.

O cenário é motivado pelo pano de fundo de uma crise bancária que envolveu o Ueno Bank — instituição com cerca de 3 milhões de clientes e depósitos públicos de aproximadamente US$ 850 milhões, incluindo recursos da previdência estatal. O banco é alvo de acusações de desvio de recursos, conflito de interesses e concessões que não estariam previstas nos procedimentos operacionais do Banco Central paraguaio. O caso provocou pedidos de impeachment, investigações pelo Ministério Público e questionamentos sobre a atuação do Fundo Monetário Internacional (FMI) e das autoridades financeiras.

Para Lindemar Cesca, presidente da Associação dos Produtores de Soja, Oleaginosas e Cereais do Paraguai (APS), a transição política não deve gerar rupturas ou alterar o ambiente de negócios. A expectativa é de que o Congresso aceite rapidamente a renúncia e nomeie o vice-presidente, mantendo o mesmo grupo político e as diretrizes econômicas e tributárias, como o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) de 10%. Segundo Cesca, o principal desafio diário do setor tem sido o câmbio entre o dólar e o guarani, visto que a desvalorização recente da moeda americana elevou os custos em moeda local para despesas operacionais como salários, fretes e diesel.

Em contrapartida, Esther Storch, diretora-sócia da DASAGRO, avalia que a renúncia amplia a incerteza no curto prazo e exige cautela de investidores brasileiros. Para ela, embora operações instaladas como a Fazenda Morotí (mantida pela BrasilAgro no Chaco) tenham compromissos que favorecem a continuidade, projetos futuros de expansão e aportes de capital estrangeiro podem entrar em compasso de espera até que haja maior clareza regulatória. André Guillaumon, presidente da BrasilAgro, pontua que a forma como o país conduz a crise demonstra a solidez de suas instituições e reforça a importância da segurança jurídica e da preservação dos contratos.

No aspecto financeiro, o setor agrícola monitora se a crise no sistema bancário poderá restringir a liquidez e enrijecer os critérios de crédito para custeio, insumos, máquinas e capital de giro, além de avaliar os reflexos nos fundos de aposentadoria e nos limites do fundo garantidor de depósitos do Banco Central paraguaio, que prevê cobertura limitada por correntista. O monitoramento do agronegócio também abrange a manutenção de projetos de infraestrutura — como o Corredor Bioceânico Sul-Oeste —, negociações comerciais e políticas tributárias e sanitárias.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/renuncia-de-pena-coloca-agro-paraguaio-em-alerta-sobre-credito-e-cambio/

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