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Saída de Flávio Bolsonaro do país deflagra disputa pela liderança da direita

A saída do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos abriu uma disputa pela liderança da oposição e da direita no Brasil.

Redação•28 de out. de 2026, 04:30
Saída de Flávio Bolsonaro do país deflagra disputa pela liderança da direita
Imagem: site

Saída de Flávio Bolsonaro do país deflagra disputa pela liderança da direita

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A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, ocorrida dois dias após a derrota no segundo turno para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deu início a uma disputa pela liderança da oposição e do campo conservador no país. O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é apontado por aliados da família Bolsonaro e por integrantes do Centrão como o principal nome cotado para assumir essa posição.

Apesar disso, alguns aliados ressaltam que, mesmo com a possível consolidação de Tarcísio como principal líder da oposição, o protagonismo cotidiano deve ser compartilhado com deputados e senadores. Na visão desse grupo, o Congresso Nacional oferecerá os instrumentos mais rápidos para o enfrentamento ao governo Lula, englobando a votação de projetos, a abertura de CPIs e a pressão sobre a pauta econômica, enquanto Tarcísio concentraria sua atuação no debate nacional e na articulação política a partir do governo paulista.

Flávio Bolsonaro viajou para os Estados Unidos na terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas. Na mesma data, Tarcísio divulgou um vídeo no qual reconheceu a vitória de Lula, mas criticou o processo eleitoral. “Reconhecer o resultado não significa calar sobre os excessos. O uso da máquina, programas lançados fora do prazo, a interferência do Judiciário. Tudo isso marcou esta eleição e precisa deixar lições”, declarou o governador, que também apontou que o país permanece fraturado e dividido e que as promessas de campanha precisam ser rigorosamente examinadas. No registro, Tarcísio agradeceu a Flávio pela caminhada na campanha, sem mencionar a viagem do senador.

Reconfiguração na oposição

Conforme apuração da analista de política da CNN Jussara Soares, aliados do clã Bolsonaro e pessoas próximas a Tarcísio avaliam que a saída de Flávio fortalece o governador como principal voz oposicionista a Lula. Com o ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar e os filhos Flávio e Eduardo no exterior, interlocutores apontam Tarcísio como um nome mais articulado do que os membros da família que permaneceram no Brasil.

O cenário interno ainda envolve Carlos Bolsonaro, eleito senador por Santa Catarina e descrito por aliados como avesso à articulação política, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, eleita senadora pelo Distrito Federal, que conta com o apoio do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, mas enfrenta resistências internas. Outro fator favorável a Tarcísio é sua reeleição em primeiro turno em São Paulo e sua atuação como conselheiro de Flávio no segundo turno, onde orientou o senador a não contestar o pleito nem deixar o país. Entre outros governadores de direita eleitos, como Sergio Moro (PL) no Paraná e Douglas Ruas (PL) no Rio de Janeiro, a avaliação é de que nenhum possui a mesma estatura para liderar a oposição.

Projeto para 2030 e nova direita

Segundo o analista de política da CNN Caio Junqueira, Tarcísio indicou a interlocutores desde a noite de domingo (25) o interesse em trabalhar para liderar a oposição visando a disputa presidencial de 2030. O governador destacou que estará apto a concorrer ao término de seu segundo mandato, embora pondere que novos nomes devem surgir e que sua candidatura dependerá do desempenho à frente do governo de São Paulo. Tarcísio avalia que a oposição historicamente foi desorganizada e individualista, necessitando atuar de forma coletiva com foco em economia, custo de vida e segurança pública.

O governador também relatou a aliados que o governo de Lula inicia com uma crise fiscal contratada e pretende atuar como porta-voz dos setores produtivos paulistas. Além disso, Tarcísio descartou planos de migrar para o PL, mantendo-se no Republicanos.

A derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro também revitalizou discussões sobre o futuro da direita não bolsonarista. Para o analista de política da CNN Pedro Venceslau, o episódio da viagem do senador abriu espaço para esse setor, em um momento em que partidos do Centrão e alas moderadas defendem o distanciamento do sobrenome Bolsonaro, enquanto o dirigente do Missão, Renan Santos, já admitiu a possibilidade de concorrer à Presidência em 2030.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/fuga-de-flavio-bolsonaro-abre-disputa-por-lideranca-da-direita-no-brasil/

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