Financiar a gestão de resíduos sólidos de forma sustentável representa um desafio complexo e bilionário para os municípios brasileiros, envolvendo dificuldades técnicas, operacionais e políticas. Prefeitos enfrentam resistência popular contra a criação de tributos para um serviço frequentemente precário, enquanto o adiamento da decisão pode comprometer a qualidade dos serviços, os investimentos e a destinação correta dos resíduos.
Dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA 2025, ano de referência 2024) apontam que apenas 49% dos municípios participantes informaram cobrar pelos serviços de manejo de resíduos sólidos domiciliares. O relatório indica R$ 13,6 bilhões em receita operacional direta, R$ 10,8 bilhões efetivamente arrecadados e uma evasão média de receitas de 23,8%. Além disso, a suficiência de caixa para cobrir as despesas de exploração atingiu apenas 31,4% da amostra.
Para superar a inadimplência e a baixa previsibilidade financeira, o cofaturamento dos serviços de manejo de resíduos sólidos na conta de água surge como alternativa. O modelo integra a cobrança a uma estrutura já estabelecida e aproveita a correlação entre o consumo de água e a geração de resíduos domiciliares para definir critérios tarifários.
Um estudo realizado pela UNA Partners indicou que o cofaturamento pode reduzir em até 25% a receita requerida para custear o serviço, em comparação com boletos específicos. A medida combina a redução da inadimplência e a queda nos custos comerciais, liberando recursos para operações e investimentos.
A economia comportamental também aponta que a unificação de faturas simplifica o pagamento e atenua a percepção negativa de custos separados, embora a transparência permaneça indispensável para que o cidadão identifique o valor destinado ao lixo. Especialistas ressaltam que a eficiência financeira deve aliar-se à justiça tarifária e ao respeito às normas regulatórias.
