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Midterms nos EUA: eleições influenciam planos de Trump, dólar e juros

Eleições de meio de mandato nos EUA definem o controle do Congresso americano, podendo alterar a agenda de Trump e impactar dólar e juros no Brasil.

Redação•02 de nov. de 2026, 03:30
Midterms nos EUA: eleições influenciam planos de Trump, dólar e juros
Imagem: site

Midterms nos EUA: eleições influenciam planos de Trump, dólar e juros

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As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms e marcadas para esta terça-feira (3), têm o potencial de alterar os rumos da política econômica do presidente Donald Trump e gerar reflexos diretos no Brasil. A disputa pelo controle do Congresso americano define o espaço que o governo terá para aprovar legislações sobre impostos, gastos públicos e regulação, influenciando expectativas de investidores, taxas de juros e o câmbio no mercado global.

O pleito renova todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, cujos mandatos duram dois anos, e 35 das 100 vagas do Senado, com mandatos de seis anos. O resultado pode redefinir o equilíbrio de forças legislativas sem alterar o comando da Presidência. As projeções apontam vantagem para os democratas, especialmente na Câmara, em um momento de baixa popularidade de Trump, cuja gestão registra 66% de desaprouvo segundo a pesquisa Reuters/Ipsos. Projeções reunidas pelo BTG Pactual também indicam dificuldades para os republicanos.

Para a Câmara dos Representantes, o modelo estatístico do The Economist, adotado como referência pelo BTG, aponta que os democratas devem conquistar 239 cadeiras contra 196 dos republicanos, com 96% de probabilidade de maioria democrata. Na mesma linha, a plataforma Polymarket atribui 92% de chance de vitória oposicionista na Casa. No Senado, a disputa é mais acirrada: o cenário-base do BTG estima 51 cadeiras para os democratas e 49 para os republicanos, calculando as nove disputas mais acirradas. A probabilidade de maioria democrata no Senado varia de 65% no Polymarket a 72% no modelo do banco.

Impactos na agenda de Trump e nos mercados

Uma possível conquista de ambas as Casas do Congresso pelos democratas, movimento chamado de "onda azul", reduziria a margem de manobra de Trump para aprovar iniciativas e ampliaria a fiscalização sobre o Executivo. A economista do ASA, Andressa Durão, avalia que o enfraquecimento republicano limita o poder presidencial. Já Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, aponta que o desgaste de Trump está atrelado à insatisfação popular com o custo de vida, com a gasolina acima de US$ 4 (R$ 21,77) por galão e o diesel superando US$ 6 (R$ 32,66).

O alcance de um eventual bloqueio legislativo depende do resultado em cada Casa:

  • Controle total democrata: Oposição com comando da pauta legislativa, das comissões de fiscalização e maior peso na confirmação de indicados para o governo, Federal Reserve (Fed) e Suprema Corte.
  • Vitória apenas na Câmara: Oposição capaz de dificultar projetos e liberação de recursos, mas com republicanos mantendo o Senado e influência sobre nomeações, além do poder de veto presidencial preservado.

Sung também alerta que os mercados financeiros ainda não precificaram totalmente a hipótese de controle democrata duplo, o que poderia elevar a volatilidade global devido a impasses e pautas de confronto, como discussões sobre um possível impeachment.

Reflexos no Brasil e na relação bilateral

No Brasil, os desdobramentos chegam principalmente pelos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e pela cotação do dólar. Despesas governamentais maiores que a arrecadação podem elevar os juros dos títulos americanos, tornando os EUA mais atraentes para investimentos e provocando a retirada de recursos de mercados emergentes, o que pressiona o dólar para alta frente ao real e encarece os juros futuros brasileiros.

Marcos Praça, diretor de Análise da ZERO Markets Brasil, aponta que uma vitória republicana nas duas Casas daria espaço para cortes de impostos e desregulamentação por parte de Trump, o que poderia ampliar o déficit público e pressionar a inflação e os juros longos nos EUA, encarecendo o dólar frente ao real e dificultando o desempenho da bolsa brasileira, em especial de setores sensíveis ao crédito como varejo e construção. Em contrapartida, uma vitória democrata poderia conter a expansão de gastos, aliviar juros americanos, favorecer a entrada de recursos no Brasil e fortalecer o real, embora riscos de impasses orçamentários persistam.

A relação entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva também preocupa investidores. Especialistas avaliam que o mercado passou a ver espaço para uma relação mais difícil após a vitória do petista, elevando temores sobre atritos econômicos, a exemplo do tarifaço e da Lei Magnitsky. Praça pondera que o resultado das midterms pode influenciar a continuidade dessas medidas, resultando em mais atritos caso os republicanos vencem ou em vetos mais céleres caso os democratas triunfem.

Apesar da composição do Congresso, Trump ainda pode recorrer a dispositivos da legislação comercial americana para impor taxas, como a Seção 232 (motivos de segurança nacional) e a Seção 301 (práticas comerciais desleais), instrumentos já aplicados contra o aço e o Brasil. Embora a Suprema Corte tenha derrubado tarifas baseadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) em 20 de fevereiro, as demais seções mantêm bases legais distintas. O câmbio no Brasil, cotado na casa dos R$ 5,40 após o período eleitoral, reflete tanto o fortalecimento global do dólar puxado pelas expectativas de juros nos EUA quanto os movimentos internos locais após a vitória de Lula.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/11/02/midterms-nos-eua-eleicoes-podem-mudar-planos-de-trump-e-mexer-com-dolar-e-juros-no-brasil.ghtml

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