A proposta de reduzir os juros por decreto ou “na marra”, defendida pelo economista André Lara Resende depois de um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi classificada como uma “péssima” ideia pelo presidente da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios, Claudio Frischtak.
Em declaração concedida ao programa CNN Money, o especialista avaliou que tal medida eleva o nível de incerteza sobre os rumos da economia no Brasil e traz pouca contribuição para acalmar os agentes econômicos. Frischtak pontuou que o país vive um momento de “certa fragilidade”, caracterizado pelo crescimento expressivo do endividamento público e por projeções de desaceleração econômica no médio prazo.
“Contas públicas um pouco desorganizadas”, declarou o consultor, reforçando que esse cenário torna indesejáveis medidas que aumentem a imprevisibilidade na condução das políticas econômicas.
Riscos de uma transição abrupta
Embora tenha admitido ser defensável a tese de que os juros estejam em patamares inadequados e que um novo equilíbrio com taxas menores pudesse reduzir custos fiscais e aliviar a inflação, Frischtak advertiu que a experiência internacional aponta para o insucesso quando essa transição ocorre de maneira brusca.
Para exemplificar o risco, o economista recorreu a uma comparação:
- “É como se você tivesse atravessando um curso d’água de 150 metros pulando.”
- “É a perspectiva não é você conseguir cruzar esse curso d’água — a perspectiva é você cair dentro d’água e ser levado pela correnteza.”
O precedente turco
Como exemplo prático dos efeitos de tentativas forçadas de mexer nas taxas, o especialista citou a Turquia. Conforme a sua avaliação, a estratégia aplicada no país turco ao longo de duas décadas, com intensificação entre os anos de 2019 e 2023, provocou “um desastre do ponto de vista da economia turca”, destruindo a moeda local, enfraquecendo as contas públicas e causando danos ao mercado de capitais.
“Poucos ganharam nesse processo”, salientou.
Ao encerrar sua análise, Frischtak enfatizou que o Brasil precisa cumprir o seu “dever de casa”, pontuando que faltam soluções milagrosas sem a devida disciplina econômica. “Não há bala de prata”, concluiu, alertando sobre a necessidade de prudência diante das discussões em curso.
