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Juros futuros sobem com temores sobre rumos da economia no governo Lula

Taxas dos DIs fecharam em alta nesta terça-feira (3) diante de incertezas do mercado sobre a agenda econômica do governo Lula e expectativas para a decisão de juros do Banco Central.

Redação•03 de nov. de 2026, 18:30
Juros futuros sobem com temores sobre rumos da economia no governo Lula
Imagem: site

Juros futuros sobem com temores sobre rumos da economia no governo Lula

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As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) registraram alta nesta terça-feira (3), impulsionadas por receios do mercado financeiro em relação aos rumos da política econômica no novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A movimentação ocorreu enquanto os investidores se preparavam para a decisão sobre a taxa básica de juros do Banco Central, marcada para esta semana.

No encerramento da sessão, a taxa do DI para janeiro de 2028 fechou a 14,57%, superando o ajuste de 14,48% registrado na véspera. Já o contrato para janeiro de 2035 avançou para 15,4%, em comparação com os 15,332% da sessão anterior.

O nervosismo entre os agentes econômicos aumentou após a repercussão de uma notícia publicada no fim de semana pela coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, informando sobre um encontro entre o presidente Lula e André Lara Resende, um dos criadores do Plano Real.

Proposta de André Lara Resende gera divergências

Lara Resende publicou recentemente um texto no qual defende mudanças na condução das políticas fiscal e monetária. A proposta inclui a redução gradual e programada da taxa Selic para 7,5% ao ano em um período de 12 meses, com o objetivo de diminuir a dívida pública e ajustar as contas estatais sem a necessidade de cortes expressivos de gastos. Além disso, o plano sugere o uso de parte das reservas internacionais para conter pressões sobre o real.

A repercussão entre os analistas foi desfavorável. Especialistas apontaram que as medidas sugeridas poderiam provocar um efeito inverso ao pretendido, intensificando as pressões inflacionárias e colocando em risco as reservas internacionais.

Ainda na terça-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que a proposta de Lara Resende apresenta “deficiências” e não está em discussão pelo governo, reforçando o compromisso com um ajuste fiscal gradual. Durigan também informou que ainda não conversou com Lula sobre novas indicações para o Banco Central, mas garantiu que as futuras nomeações de diretores seguirão critérios de rigor técnico e contarão com diferentes perfis.

Segundo o CEO da Trade Arena, Gabriel Jardim, as taxas operaram em forte alta na ponta longa da curva devido às incertezas. “Enquanto não houver clareza sobre a condução da economia e sobre a regra de gastos, o ajuste aparece primeiro no câmbio e nos juros longos”, afirmou.

Expectativas para a decisão do Copom

Os agentes do mercado também monitoraram a preparação para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para quarta-feira (4). O Relatório Focus, divulgado mais cedo, indicou que os economistas consultados pelo Banco Central mantêm a expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, mas elevaram a projeção para o encerramento do ano de 13,25% para 13,50%.

Em contrapartida, uma pesquisa da Reuters apontou projeções de manutenção da Selic no patamar atual de 13,75% nesta semana, após a reação negativa dos mercados à reeleição de Lula.

“Há uma diferença entre a possibilidade de um corte nesta reunião e as condições para a continuidade do ciclo. Mesmo com algum espaço na ponta curta para uma redução imediata, a forte alta dos juros longos sinaliza um cenário que pode interromper o processo de cortes”, avaliou Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.

Cenário externo

No mercado internacional, os rendimentos dos Treasuries subiram ao longo do dia, refletindo o monitoramento das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que podem alterar o controle do Congresso norte-americano. Por volta das 16h52, a taxa do título de dez anos dos EUA (US10YT=RR) registrava alta de 5 pontos-base, cotada a 4,946%.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/mercado/juros-futuros-sobem-com-temores-sobre-rumos-da-economia-no-governo-lula-4/

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