A Torre Eiffel, um dos principais pontos turísticos da França, foi fechada nesta quinta-feira (5) devido à greve nacional organizada por sindicatos e à onda de protestos em todo o país. O local, que recebe cerca de 7 milhões de visitantes anualmente, informou que visitantes com ingressos eletrônicos devem verificar seus e-mails para atualizações.
Protestos e tensões em Lyon
Em Lyon, a polícia francesa usou gás lacrimogêneo e avançou contra manifestantes que entraram em confronto com as forças de ordem. Alguns protestantes gritavam palavras de ordem contra a polícia e usavam roupas pretas, com o rosto coberto. Os protestos, apoiados por sindicatos como a CGT e grupos estudantis, seguem semanas de tensão social, com manifestações sobre custo de vida, serviços públicos e educação.
Uma escola de ensino médio em Toulouse foi incendiada na manhã desta quinta-feira, segundo a emissora BFM TV. Em Paris, estudantes e manifestantes bloquearam uma rua com lixeiras, enquanto a principal manifestação da capital está prevista para começar às 14h (10h em Brasília), na Place de la République.
Contexto político e social
Os protestos ocorrem a apenas cinco meses das eleições presidenciais, que podem colocar a candidata de extrema direita Marine Le Pen contra o rival da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon em um segundo turno. O presidente Emmanuel Macron, com baixa popularidade, não pode concorrer novamente.
As autoridades mobilizaram cerca de 70 mil policiais em todo o país, enquanto o serviço de inteligência interna estima que entre 500 mil e 700 mil pessoas participem das manifestações fora de Paris. A greve já havia contribuído para uma redução na produção de energia nuclear, mas não afetou significativamente a rede de transportes.
O Ministério da Educação informou que pouco mais de 15% dos profissionais do ensino francês aderiram à greve. Estudantes destacam preocupações com condições nas escolas e a incerteza sobre o futuro. O governo francês defendeu as táticas policiais, mas afirmou que eventuais abusos serão investigados.
